Talibã reprime protesto contra troca de bandeira afegã, e pelo menos duas pessoas são mortas a tiros

·2 minuto de leitura

CABUL — Ao menos duas pessoas morreram e 12 ficaram feridas por atiradores que abriram fogo durante um protesto após uma bandeira do Talibã ser removida da cidade de Jalalabad, no Leste do Afeganistão, segundo a al-Jazeera. As notícias vêm apenas um dia após o grupo fundamentalista prometer "perdoar" todas as pessoas ligadas ao antigo regime pró-Ocidente e respeitar os direitos das mulheres, adotando uma retórica mais moderada em busca de reconhecimento internacional.

De acordo com o canal do Qatar, a bandeira em preto e branco do Talibã que estava hasteada em uma rotatória na Praça Pashtunistan foi substuída por manifestantes pela bandeira preta, verde e vermelha do Afeganistão. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram as pessoas se dispersando após tiros serem ouvidos. Não está claro, contudo, quem os disparou. Baradar, cofundador do Talibã, desembarca no Afeganistão

Outras imagens mostram dezenas de manifestantes com as bandeiras afegãs nas mãos protestando ruas, gritando palavra de ordens e assobiando. De acordo com o New York Times, citando vídeos transmitidos por canais locais, tiros para o alto foram inicialmente disparados para dispersar a multidão. Sem sucesso, teriam então disparado diretamente na multidão. O jornal americano diz ainda que há registros de pessoas espancadas e jornalistas agredidos, supostamente por soldados do Talibã.

Há ainda relatos de tiros em uma praça no distrido de Daronta, nos arredores de Jalalabad, onde uma outra bandeira do Talibã foi substituída pela flâmula tricolor afegã, algo que vem sendo feito gradualmente substituida desde que o grupo retornou ao poder no domingo. Também circulam na internet imagens de centenas de pessoas ocupando as ruas de Khost, no Sul afegão, apesar dos riscos.

Após uma ofensiva relâmpago em que conquistaram a maior parte das capitais provinciais em uma semana, o Talibã tomou Cabul sem resistência, enquanto o presidente Ashraf Ghani fugia do país. Em questão de horas, retornaram ao palácio presidencial quase 20 anos após a invasão americana em outubro de 2020, que deu início à guerra mais longa da Histórica dos Estados Unidos.

Desde que voltou ao poder, o Talibã vem adotando uma postura mais moderada do que quando esteve no comando do país entre 1996 e 2001: diz que as mulheres poderão trabalhar, desde que respeitem a lei islâmica, que respeitarão os direitos humanos e que querem o diálogo com a comunidade internacional.

Prometem também não atacar cidadãos de outros países — muitas nações ocidentais, principalmente, correm para tirar seus diplomatas e cidadãos do território afegão, mesmo sem nenhuma ameaça concreta do grupo. De acordo com a Reuters, mais de 2,2 mil diplomatas e outros cidadãos civis, em sua grande maioria estrangeiros, foram evacuados do Afeganistão em voos militares até o momento.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos