Talibãs afirmam que empregam 'milhares' de mulheres, mas muitas 'em casa'

Os talibãs rejeitaram nesta terça-feira (13) as acusações da ONU de que os direitos das mulheres no Afeganistão "retrocederam" desde seu retorno ao poder e afirmaram que "milhares" de mulheres afegãs trabalham em empregos públicos, mas algumas delas "em casa".

Disseram que as funcionárias de vários ministérios e serviços públicos não estão permitidas a comparecer aos escritórios, para não se misturarem com os homens, mas que "continuam recebendo seus salários" em casa.

Desde seu retorno ao poder em agosto de 2021, os talibãs impuseram restrições severas às meninas e mulheres para que se ajustem à sua visão rigorosa do Islã, afastando-as da vida pública.

Os radicais proibiram as escolas de ensino médio para as meninas na maioria das províncias e vetaram as mulheres de muitos empregos no governo. Também ordenaram que as mulheres se cubram totalmente em público, idealmente com uma burca, o véu completo.

Na segunda-feira, um relator especial da ONU denunciou o "grande retrocesso nos direitos das mulheres e meninas" desde que os talibãs voltaram ao poder.

A missão das Nações Unidas no Afeganistão também acusou os talibãs de intimidar e assediar suas funcionárias. Três delas foram temporariamente detidas e interrogadas.

O relatório da ONU é "tendencioso e está longe de representar a realidade", disse o porta-voz do governo Zabihullah Mujahid em nota.

Afirmou que "milhares de mulheres trabalham na educação, no ensino superior, na saúde (...). A vida das mulheres não está mais ameaçada no Afeganistão e ninguém as desonra", acrescentou.

Sharafuddin Sharaf, chefe de gabinete do ministro do Trabalho e Assuntos Sociais, disse à AFP que "nem uma única funcionária" foi demitida desde que o Talibã assumiu o poder.

No entanto, disse, as funcionárias de vários ministérios e departamentos do governo onde as medidas para separar homens e mulheres ainda não foram implementadas não podem ir aos seus escritórios.

"Mulheres e homens trabalharem juntos em um escritório não é possível em nosso sistema islâmico", justificou.

E acrescentou que, quando "não são necessárias", seus colegas homens têm a "responsabilidade de fazer seu trabalho".

Uma mulher contou à AFP que não tinha permissão para entrar em seu antigo escritório e que precisava assinar um registro uma vez por semana em um estacionamento, pelo qual recebeu 10.000 afeganes (cerca de 110 euros), menos de um terço de seu antigo salário.

"Na maioria das vezes eles nos insultam e nos humilham", disse Nasria Tamkeen. "Não podemos chamar isso de salário, porque não pode financiar as necessidades de uma família", lamentou.

Na maioria dos ministérios, "onde são necessárias, as mulheres trabalham", assegurou Sharaf, sem divulgar um número total de mulheres funcionárias públicas.

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