Talibãs colocam milhões de vida em risco ao proibir mulheres de trabalhar

Depois de terem sido obrigadas a tapar o rosto em público, proibidas de estudar, de fazer desporto e de viajar sozinhas, as mulheres afegãs deixaram de poder trabalhar nas organizações não governamentais (ONG).

Num país onde a maioria da população depende da assistência humanitária, a decisão coloca milhões de vidas em risco. Esta quinta-feira, a ONU apelou ao diálogo para pôr fim ao dilema criado pelos talibãs.

"O coordenador de emergência e ajuda humanitária da ONU vai visitar o Afeganistão. Estamos a planear fazer várias visitas, a nível superior, para intervir junto dos interlocutores das autoridades, de modo a que esta situação seja resolvida. Isto terá lugar durante as próximas semanas, porque estamos atualmente a avaliar as implicações do que está a acontecer", afirmou Ramiz Alakbarov, representante especial adjunto do secretário-geral das Nações Unidas.

Só falta "proibir as mulheres de respirar"

Desde que tomaram o poder no Afeganistão, os talibãs tomaram uma série de medidas que condenam as mulheres a uma morte simbólica. Na prática, metade da população afegã está confinada, como sublinha a antiga vice-presidente do parlamento afegão, que vive hoje no exílio.

"Apagaram literalmente as mulheres, não resta nada, exceto talvez a decisão de proibir as mulheres de respirar. Porque elas não podem sair de casa, não podem ir para o trabalho", afirmou Fawzia Koofi, antiga dputada e vice-presidente do parlamento afegão.

No início do mês, os talibãs proibiram as mulheres de frequentar a universidade, o que suscitou protestos em Cabul e noutras cidades afegãs. Segundo analistas, o objetivo dos talibãs é chamar a atenção da comunidade internacional para negociar.