Talibãs controlam principal rota que liga Afeganistão ao Tadjiquistão

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A rota tem uma ponte de 700 metros financiada pelos Estados Unidos, inaugurada em 2007 com o objetivo de impulsionar o comércio entre os vizinhos da Ásia Central

Os talibãs assumiram, nesta terça-feira (22), o controle da principal rota de saída do Afeganistão para o Tadjiquistão, um eixo-chave nas relações econômicas com a Ásia Central, em meio à retirada das forças americanas do país.

Os insurgentes agora detêm o posto de fronteira mais importante com o Tadjiquistão e as outras passagens para este país, bem como os distritos que levam à capital do nordeste, Kunduz, a cerca de 50 quilômetros de distância, informaram várias autoridades locais à AFP.

Dois membros do Conselho Provincial, Amruddin Wali e Khaliddin Hakmi, confirmaram à AFP a captura do posto fronteiriço de Shir Khan "e de todos os outros postos fronteiriços, após uma hora de combate".

De acordo com um oficial que não quis ser identificado, "os talibãs começaram a atacar ontem à noite e, pela manhã, estavam por toda parte, centenas".

"Fomos forçados a abandonar todas as nossas posições, bem como o posto de fronteira. Alguns dos nossos soldados cruzaram (a fronteira) para o Tadjiquistão" para se abrigar, acrescentou.

O porta-voz dos insurgentes, Zabihullah Mujahid, disse à AFP que eles "estavam restaurando uma situação normal" na fronteira.

- "Tranquilizar" o Tadjiquistão -

Ele também quis "tranquilizar" o Tadjiquistão: "Não desejamos nenhum mal e guardaremos a fronteira do lado afegão", insistiu.

Diante do avanço relâmpago dos talibãs no norte, o Ministério da Defesa enviou ontem à noite reforços para Kunduz, a maioria de comandos das forças especiais, segundo um oficial.

De acordo com o porta-voz da Câmara de Comércio e Indústria de Kunduz, Massoud Wahdat, "havia 150 caminhões carregados de mercadorias, quando Shir Khan caiu. Não temos notícias, será uma grande perda financeira se essas mercadorias forem perdidas no conflito".

A travessia da fronteira é materializada por uma ponte sobre o Panj, um rio que conecta Cabul a Dushanbe, a capital tadjique, e ao restante da Ásia Central. Sua inauguração em 2007 fortaleceu consideravelmente o comércio regional.

A perda deste posto é "um sério revés" para o governo afegão, estimou Atiqullah Amarkhail, especialista em questões de defesa.

"A incapacidade de defender uma posição tão importante atesta as dificuldades das autoridades em manter o controle no terreno", acrescentou.

Os talibãs têm intensificado suas ofensivas desde o início, em maio, da retirada dos soldados americanos, que está progredindo muito rapidamente.

Washington pediu nesta terça-feira às partes um "cessar" da violência, pela qual consideram o Talibã como o grande "responsável", três dias antes da visita do presidente afegão, Ashraf Ghani, à Casa Branca.

- Apelo à mobilização nacional -

Nesta segunda-feira, porém, o Pentágono deu a entender que essas operações poderiam ser desaceleradas intencionalmente para lidar com os ataques - ainda que cumprindo o prazo de 11 de setembro para uma partida completa.

O homem forte do norte, o ex-governador da província de Balkh Mohammad Atta Noor, pediu ao governo nesta terça-feira que decrete uma "mobilização nacional" para conter as ofensivas do Talibã.

O Exército afegão está sob ataque de todos os lados, especialmente nas províncias do norte, do leste a oeste - Kunduz, Baghlan, Badakhshan, Faryab, Maimana - e está perdendo terreno em um ritmo muito rápido.

Recentemente, sofreu pesadas perdas, inclusive nas fileiras de suas forças de elite, e foi obrigado a abandonar postos avançados sitiados em áreas remotas.

Agora, os talibãs estão presentes em quase todas as províncias afegãs. O grupo reivindica a captura de 87 distritos desde maio e cerca várias grandes cidades, como fez na década de 1990 para tomar quase todo país e instalar um regime islâmico autoritário, expulso pela intervenção americana em 2001.

"Mais de 50 dos 370 distritos do Afeganistão caíram desde o início de maio. A maioria dos distritos capturados cerca capitais provinciais, sugerindo que o Talibã está se posicionando para tentar tomar essas capitais assim que as forças estrangeiras se retirarem completamente", alertou a representante especial da ONU em Cabul, Deborah Lyons, ao Conselho de Segurança da ONU nesta terça-feira.

Um responsável do Talibã reafirmou no domingo a vontade de estabelecer "um regime islâmico autêntico por meio de negociações", mas as discussões interafegãs iniciadas em setembro passado em Doha, capital do Catar, com o governo estão paralisadas.

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