Talibãs ficarão em posição 'defensiva' na festa muçulmana no Afeganistão

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Forças afegãs fazem guarda do lado de fora da mesquita azul, durante as orações do Eid al-Adha, em Herat

Os talibãs anunciaram nesta quarta-feira (21) que entrarão em combate apenas se forem atacados durante o Eid el Adha, a festa muçulmana do sacrifício, no Afeganistão.

"Posso confirmar que estamos em posição defensiva para o Eid", que começou na terça-feira (20) e dura três dias, disse o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, à AFP.

Desde maio, aproveitando a última etapa da retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão, que ser concluída até final de agosto, os talibãs lançaram uma ofensiva total que lhes permitiu conquistar várias áreas do território.

Sem o crucial apoio aéreo de tropas estrangeiras, as forças do governo mantêm apenas as capitais das províncias e algumas estradas importantes.

Este ano, os talibãs não anunciaram oficialmente um cessar-fogo por ocasião do Eid al Adha, ao contrário do que fizeram em anos anteriores em algumas festas muçulmanas.

A adoção de uma "postura defensiva" deve permitir aos afegãos celebrarem o Eid com sua família em relativa segurança.

Os talibãs já foram acusados de usarem o cessar-fogo por ocasião destas datas festivas para reforçar suas posições, reabastecer seus combatentes e prepará-los para atacar as forças afegãs assim que a trégua terminasse.

Na terça-feira, o presidente afegão, Ashraf Ghani, declarou, durante uma cerimônia por ocasião do Eid al Adha, que "os talibãs mostraram que não têm a vontade, nem intenção, de fazer a paz", após um fim de semana estéril de negociações entre o governo e os insurgentes em Doha.

A cerimônia aconteceu no palácio presidencial, em Cabul. Minutos antes, o local havia sido alvo de três foguetes que caíram em um raio de um quilômetro. O ataque não deixou vítimas.

A ofensiva foi reivindicada pelo Estado Islâmico (EI). No passado, este grupo foi acusado pelas autoridades afegãs de complementar a ação talibã - em particular, em ataques a civis.

Com frequência, o governo afegão responsabiliza os talibãs pelos ataques reivindicados pelo EI, assegurando que este último foi derrotado há dois anos em seu antigo reduto na província de Nangarhar (leste).

Na segunda-feira (19), várias representações diplomáticas no Afeganistão pediram aos talibãs que ponham fim a sua ofensiva, algo que contradiz - de acordo com estes representantes - "o apoio que expressaram a uma solução negociada" do conflito.

No domingo (18), representantes do governo afegão e dos talibãs concluíram uma nova rodada de negociações em Doha, no Catar, sem qualquer resultado significativo.

Ambas as partes disseram apenas terem concordado quanto à necessidade de encontrarem uma "solução justa" e devem voltar a se reunir na "próxima semana".

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