Talibã proíbe salões de beleza de raspar e aparar barbas

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KHOST, AFGHANISTAN - SEPTEMBER 23: A barber cuts shaves beard at a shop in Khost, Afghanistan on September 23, 2021. Barbers in Afghanistan's Khost province say, with the advent of the Taliban, their business has deteriorated and their customers have dwindled. (Photo by Sardar Shafaq/Anadolu Agency via Getty Images)
Foto: Sardar Shafaq/Anadolu Agency via Getty Images
  • Regra é uma interpretação radical da lei islâmica

  • Profissionais temem por seus negócios

  • Quem descumprir ordem pode ser punido

Cabeleireiros e barbeiros da província de Helmand, no Afeganistão, estão proibidos de raspar ou aparar barbas. A regra foi decretada pelo Talibã, que afirma que a prática viola sua interpretação da lei islâmica.

A polícia religiosa do Talibã, que tomou o poder no país em agosto, declarou que quem violar a nova regra será punido. Cabeleireiros de Cabul, a capital afegã, afirmaram que receberam ordens parecidas.

O Talibã, depois de haver afirmado que seriam mais moderados, está demonstrando um retorno às regras mais severas que adotaram em seu primeiro governo, no início dos anos 2000.

Recentemente, um dos líderes do grupo extremista declarou que pessoas poderiam ser punidas no Afeganistão com execuções e amputações, assim como faziam na primeira vez que estiveram no poder.

No último sábado (25), combatentes assassinaram quatro homens acusados de sequestro. Depois, seus corpos foram pendurados nas ruas da província de Herat.

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O acesso das mulheres à educação e ao trabalho também foi restrito. Há também regras mais rígidas em relação à vestimenta.

A nova regra para os cabeleireiros veio acompanhada de um aviso anexado a salões de beleza na província de Helmand, no sul do Afeganistão. No texto, oficiais do Talibã avisam que os profissionais devem seguir a lei Sharia (uma interpretação mais radical da lei islâmica) para cortes de cabelo e barbas.

"Ninguém tem o direito de reclamar", afirma o aviso, visto pela BBC.

"Os guerrilheiros continuam chegando e nos mandando parar de aparar barbas", contou um barbeiro em Cabul à reportagem. "Um deles me disse que podem enviar fiscais disfarçados para nos flagrar."

Um outro cabeleireiro, que comanda um dos maiores salões da capital, revelou que recebeu um telefonema de um suposto funcionário do governo, que o instruiu a "parar de seguir os estilos americanos" e não raspar ou aparar a barba de ninguém.

Em seu primeiro governo, entre 1996 e 2001, o Talibã estabeleceu regras severas em relação ao comportamento no Talibã. Eram proibidos, por exemplo, penteados extravagantes e homens tinham que deixar a barba crescer.

No hiato entre os governos do grupo extremista, os visuais bem barbeados fizeram sucesso entre os afegãos, que frequentavam os salões de beleza em busca de cortes da moda.

Os cabeleireiros que falaram à BBC afirmam que as novas regras interferem no sustento desse profissionais.

"Por muitos anos, meu salão foi um lugar para os jovens se barbearem como quisessem e estarem na moda", contou um deles à BBC. "Agora não adianta mais manter esse negócio."

"Salões de beleza e barbeiros estão se tornando negócios proibidos", relatou outro. "Este foi o meu trabalho por 15 anos e não acho que posso continuá-lo."

Um barbeiro da cidade de Herat, no oeste do país, afirmou que embora não tenha recebido nenhuma ordem oficial, ele parou de oferecer cortes de barba.

"Os clientes não raspam a barba porque não querem ser visados e se parecer com eles."

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