Taliban celebra um ano no poder em Afeganistão mais seguro, mas com pouca esperança

Combatentes do Taliban comemoram aniversário de um ano da tomada de Cabul

CABUL (Reuters) - O Taliban e seus apoiadores agitaram a bandeira branca e preta do grupo nas ruas do Afeganistão, nesta segunda-feira, para comemorar um ano desde que o grupo marchou para a capital e tomou o poder após uma série impressionante de vitórias no campo de batalha.

Nos 12 meses desde a retirada caótica das tropas dos Estados Unidos, alguns afegãos saudam a melhoria da segurança, mas lutam contra a pobreza, a seca, a desnutrição e a esperança cada vez menor entre as mulheres de que terão um papel decisivo no futuro do país.

Alguns homens atiraram para o alto em Cabul e algumas centenas de pessoas, incluindo apoiadores, combatentes e autoridades do Taliban, se reuniram na praça em frente à embaixada dos EUA para marcar a data. Eles seguravam faixas que incluíam o slogan "morte aos Estados Unidos".

"Este dia é o dia da vitória da verdade sobre a falsidade e o dia da salvação e liberdade da nação afegã", disse o porta-voz do Taliban, Zabihullah Mujahid, em um comunicado.

Em uma cerimônia com a presença de ministros do governo do Taliban, o ministro das Relações Exteriores em exercício, Amir Khan Muttaqi, afirmou que seu governo trouxe segurança onde os Estados Unidos falharam e que o grupo deseja relacionamentos positivos com o mundo.

"Queremos um bom relacionamento com todos os países, não deixaremos o território do Afeganistão ser usado contra ninguém", disse ele, acrescentando que querem enfrentar os desafios em curso no país.

O país está fisicamente mais seguro do que quando o movimento islâmico linha-dura lutava contra as forças estrangeiras lideradas pelos EUA e aliados afegãos, embora uma ramificação local do Estado Islâmico tenha realizado vários ataques.

No entanto, essa segurança relativa não pode mascarar a escala do desafio que o Taliban enfrenta para colocar o Afeganistão em um caminho de crescimento econômico e estabilidade. Há enormes pressões sobre a economia, causadas em grande parte pelo isolamento do país, já que governos estrangeiros se recusam a reconhecer seus governantes.

A ajuda ao desenvolvimento, da qual o país dependia muito, foi reduzida conforme a comunidade internacional exige que o Taliban respeite os direitos dos afegãos, particularmente meninas e mulheres cujo acesso ao trabalho e à educação foi restringido.

O Taliban está solicitando que 9 bilhões de dólares em reservas do banco central mantidos no exterior sejam devolvidos, mas as negociações com os Estados Unidos enfrentam obstáculos, incluindo as exigências dos EUA de que um líder do Taliban sujeito a sanções renuncie de sua posição como segundo em comando no banco.

O Taliban se recusa a ceder a essas exigências, dizendo que respeita todos os direitos dos afegãos dentro da estrutura de sua interpretação da lei islâmica.

Até que haja uma grande mudança nas posições de ambos os lados, não há solução imediata à vista para a espiral de preços, aumento do desemprego e fome que devem piorar com a chegada do inverno.

"Estamos todos caminhando para a escuridão e o infortúnio", disse Amena Arezo, médica da província de Ghazni, no sudeste do país. "As pessoas não têm futuro, especialmente as mulheres."

(Reportagem de Mohammad Yunus Yawar e Charlotte Greenfield)