Taliban dispara para o alto para dispersar centenas de manifestantes em Cabul

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(Reuters) - Atiradores do Taliban disparam para o alto nesta terça-feira para dispersar manifestantes na capital afegã Cabul, disseram testemunhas, e um vídeo mostrou dezenas correndo para escapar dos disparos.

Centenas de homens e mulheres gritando slogans como "Vida longa à resistência" e "Morte ao Paquistão" marcharam nas ruas para protestar contra a tomada de poder do Taliban. O vizinho Paquistão tem laços profundos com o Taliban e é acusado de auxiliar o grupo islâmico a retornar ao poder, mas nega tais acusações.

"O movimento islâmico está atirando em nosso povo", disse uma mulher em pânico na rua ao som de disparos em um vídeo exibido no noticiário da televisão iraniana --mas não surgiram relatos imediatos de feridos.

O avanço rápido do Taliban pelo Afeganistão depois que os Estados Unidos retiraram seus soldados no mês passado desencadeou uma debandada de pessoas temerosas de represálias.

As forças externas lideradas pelos EUA retiraram cerca de 124 mil estrangeiros e afegãos em risco, mas dezenas de milhares foram deixados para trás.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, disse que seu país está em contato com cerca de 100 compatriotas ainda no Afeganistão.

Cerca de mil pessoas, incluindo norte-americanos, estão retidas em Mazar-i-Sharif, uma cidade do norte afegão, há dias à espera de liberação para partir em voos fretados, disse um organizador à Reuters, atribuindo o atraso ao Departamento de Estado.

Em conversas com o Catar, um interlocutor crucial do Taliban, Blinken disse que o problema diz respeito aos documentos.

"Meu entendimento é que o Taliban não nega a saída a ninguém que tenha um documento válido, mas que dizem que aqueles sem documentos válidos a esta altura não podem partir", disse ele aos repórteres. "Como todas estas pessoas estão agrupadas, isto significa que os voos não têm permissão para sair... não estamos cientes de ninguém ter sido retido em uma aeronave, ou de alguma situação como um sequestro".

(Reportagem redações Reuters; texto de Clarence Fernandez, Raju Gopalakrishnan e Kevin Liffey)

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