'Talvez por infelicidade', Bolsonaro não deixou claro o problema da saúde e da vacinação, diz Guedes

Manoel Ventural
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira que, "talvez por infelicidade", o presidente Jair Bolsonaro não tenha deixado claro o "problema" da saúde e da vacinação em massa. Na véspera, o presidente afirmou ser preciso parar do que ele chamou de "frescura" e "mimimi" com a pandemia de Covid-19.

Crítico das medidas de isolamento necessárias para combater a doença, Bolsonaro questionou ainda até quando as pessoas ficarão, nas suas palavras, "chorando". O novo coronavírus já matou quase 260 mil brasileiros, e a mortes estão em alta, batendo recordes nos últimos dias. Para Guedes, Bolsonaro acredita que saúde e economia andam juntos.

— É muito importante isso. Essa é a mensagem que, o tempo inteiro, o presidente tem tentado passar também. Que, talvez por infelicidade, não deixou claro o problema da saúde e da vacinação em massa. Mas a agonia dele com a economia é a seguinte: se você der o auxílio e chegar lá e a prateleira estiver vazia, todo mundo com o dinheiro na mão, há inflação, falta de alimentos. Temos que manter os sinais vitais da economia — disse Guedes.

O ministro da Economia disse também que a vacinação em massa contra Covid-19 é a “coisa mais importante” que se tem agora.

— O próximo passo agora é a vacinação em massa. É a coisa mais importante que tem agora. O presidente (Jair Bolsonaro) sempre falou que economia e saúde andam juntas. É a vacinação em massa, se não a economia não se sustenta. Ela volta a cair ali na frente. Da mesma forma, a saúde não se sustenta. Imaginem que a gente deu o auxílio emergencial e as prateleiras vazias porque as pessoas perderam a saúde, ou porque a economia se desorganizou. Nós não podemos deixar a economia se desorganizar — disse Guedes.

Apesar da declaração do ministro, a vacinação anda em ritmo lento no Brasil por conta da baixa quantidade de doses disponibilizadas pelo Ministério da Saúde. O ministério prevê entregar 38 milhões de doses de vacinas em março, numa redução de quase 8 milhões de doses em relação ao que foi divulgado em fevereiro.

Até agora, 7,6 milhões de pessoas receberam a a primeira dose da vacina, o equivalente a 3,62% da população brasileira. Guedes afirmou que o desafio é maior do momento é a vacinação, inclusive para não derrubar a economia:

— O grande desafio é a vacinação em massa. Na saúde, nós precisamos avançar rapidamente, para não derrubar a economia brasileira de novo. Além da dimensão humana, da tragédia das famílias, tem o perigo de derrubar a economia de novo, aí agudiza todo o problema brasileiro.

O ministro também confirmou que o governo irá antecipar o 13º dos benefícios do INSS quando o Orçamento for aprovado pelo Congresso, o que deve ocorrer até o fim deste mês. Ele citou ainda o programa, chamado de “BEm” que permite o corte de salário e da jornada de trabalhadores, que também será renovado.

— Assim que aprovar o Orçamento, vão ser antecipados também o 13º dos mais frágeis. O BEm, que é o programa de preservação de empregos, já está sendo disparado em novas bases — disse o ministro.

As declarações foram dadas na portaria do ministério, após ter se reunido com o deputado Daniel Freitas (PSL-SC), relator da proposta de emenda à Constituição conhecida como PEC Emergencial. O texto já foi aprovado pelo Senado e enviado para a Câmara.

A PEC limita o auxílio a um custo de R$ 44 bilhões neste ano — em 2020 foram cerca de R$ 300. Perguntado se seria possível aumentar esse valor, Guedes se esquivou:

— O que eu posso dizer o seguinte: todo o espírito desse programa é de compromisso com a saúde e com a responsabilidade fiscal. Se você começa a desequilibrar de um lado ou de outro…

O governo quer um auxílio por quatro meses pagando em média R$ 250. O ministro atribuiu ao valor do auxílio no ano passado — foram cinco meses de R$ 600 e quatro de R$ 300 — à alta no preço dos alimentos.

— Vocês viram que materiais de construção, alimentos, isso começou a subir rapidamente. Porque a ideia inicial, que era R$ 200, R$ 250, acabou saindo R$ 600. A economia voltou mais rápido, mas os preços começaram a subir — disse o ministro.

Questionado sobre possível reformulação do Bolsa Família, ele afirmou que isso ficará para depois da crise.

— A doença é enfrentada com auxílio emergencial — acrescentou.