Tamar colabora com o avanço da ciência e na reprodução de 40 milhões de tartarugas

Alexandro Mota, especial para O GLOBO
Soltura de tartarugas na Praia do Forte, Bahia, marca o início das comemorações dos 40 anos do Projeto Tamar

PRAIA DO FORTE — Criado em 1980, o Projeto Tamar foi fundamental para a descoberta de que o Brasil recebe, em seu litoral, cinco das sete espécies de tartarugas marinhas existentes.

Neca Marcovaldi, uma das idealizadoras do projeto, defende que um dos principais legados do Tamar é a criação de dados padronizados que atravessam essas quatro décadas, o que é importante para o estudo de um animal de vida longa.

Diretor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o professor e pesquisador Francisco Kelmo concorda e acrescenta:

— O Tamar permitiu um avanço em termos de conservação da biodiversidade para melhoria no estudo da Biologia, não apenas das tartarugas, que são o carro-chefe, mas de uma série de outros animais. Havia espécie que conhecíamos quase nada e hoje as pesquisas avançaram após o Tamar se estabelecer — afirma Kelmo.

O desenvolvimento não alcança apenas a pesquisa na área biológica mas também dá suporte para investigações oceanográficas: desde 2014, o Tamar dá apoio ao estudo das características das ondas na região do Litoral Norte.

De acordo com a pesquisadora do Instituto de Oceanografia da UFBA Janini Pereira, trata-se também de um dos estudos dessa área com maior continuidade no Brasil, o que só é possível por conta do apoio da base e dos profissionais do Tamar, dado o alto custo e aspectos operacionais e de logística.

A analista ambiental Cecília Baptistitte, do Centro Tamar, órgão governamental ligado ao ICMBio, destaca que a atuação do projeto é na ponta mais frágil da preservação: junto às fêmeas que ficam expostas na desova e de seus filhotes.

Para Baptistitte, o trabalho de campo do Tamar serviu de base para levantar as necessidade e iniciar uma série de aparatos legais de proteção das área de desova, como a proibição de uso de veículos em trecho das orlas e até mesmo das especificidades da iluminação adequada.

Comemorações de 40 anos

Prestes a completar 40 anos, em 2020, a Fundação Tamar protege hoje cerca de 1.100 km de praias e está presente em 26 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e nas ilhas oceânicas.

É um dos mais antigos institutos de preservação ambiental brasileiro — o Ibama, por exemplo, foi criado em 1989. Seus seis centros de visitação, que neste ano devem bater pela primeira vez o recorde de 1 milhão de turistas, estão entre os museus brasileiros mais frequentados.

As comemorações por suas quatro décadas foram abertas, na última semana, com a presença de moradores, funcionários e crianças dos projetos sociais da fundação.

Na sexta-feira e no sábado, eles presenciaram uma festiva soltura no mar de dezenas de filhotes de tartarugas, na Praia do Forte. Com elas, já chega a quase 40 milhões o número de filhotes preservados na costa brasileira graças ao projeto.

*O fotógrafo Custódio Coimbra viajou a convite da Petrobras