#tamojunto: Mallu Magalhães, Dona Onete e outros astros da MPB encerram primeiro fim de semana do festival

Sílvio Essinger
#tamojunto: Hamilton de Holanda, Lucy Alves, Matheus VK, Momo, Simone Mazzer, Pedro Miranda, Mallu Magalhães e Jorge Vercilo foram alguns dos artistas de domingo

RIO - De Dona Onete do alto de seus 80 anos a Mallu Magalhães, com seus 27, um vasto time da MPB deu o recado sem sair de casa no domingo, no primeiro final de semana do festival online #tamojunto. Iniciativa do GLOBO para enfrentar com música a quarentena da população em dias de pandemia do coronavírus, ele reuniu mais de 30 artistas, ao longo de sexta, sábado e domingo, com mais mais de 1,5 milhão de acessos nas redes sociais do GLOBO, sem contar os acessos nos Instagrams pessoais de cada artista.

Além de Dona Onete e Mallu, o domingo contou com a animação carnavalesca de Matheus VK, os sambas e baiões de Pedro Miranda, a eletricidade nordestina de Lucy Alves, a dramaticidade blues/tangueira/sambística de Simone Mazzer e a beleza introspectiva das canções de Momo. Isso, para não falar de um dos maiores nomes da música instrumental brasileira – o bandolinista Hamilton de Holanda – e dois hitmakers de mão cheia: Marcos Valle e Jorge Vercillo.

Cada artista fez um pocket show de meia hora, transmitido originalmente em seus respectivos perfis no Instagram, e replicado nos canais do GLOBO (YouTube, Facebook e Twitter). Com formato livre, os músicos optaram por montar seus próprios formatos para a live.

O festival continua no próximo fim de semana, com lives de Céu, Moreno Veloso, Paulo Miklos, Zelia Duncan e Marcelo Jeneci, entre outros.

Saiba como foram os pocket shows

Mallu Magalhães

Diretamente do frio da noite de Lisboa, a cantora criou um clima bossa nova com seu violão e o seu gato, Albano, apresentando um repertório com canções da sua carreira de compositora, como “Sambinha bom”, “Guanabara”, “Casa pronta”, “Vai e vem”, “Velha e louca” e a inédita “Quero quero”, que vai entrar em seu novo álbum, a ser lançado este ano. “Não tá fácil pra ninguém, mas pelo menos a gente faz um sonzinho”, comentou a cantora, rainha da fofura, que ainda brindou o público com reinterpretações de “Januária” (Chico Buarque) e “Baby” (Caetano Veloso).

Marcos Valle

Aos 76 anos, o cantor e compositor carioca, surgido na bossa nova, mostrou em seu piano elétrico Fender Rhodes cor-de-rosa um apanhado de canções que começou por “Reciclo”, de seu novo álbum, “Cinzento”, lançado este ano. Como não poderia deixar de ser, Valle cantou seu hit das academias de ginástica “Estrelar” (o do “tem que suar”) e recuperou músicas mais obscuras como “Não tem nada não” e “Bodas de sangue” (“que o Kanye West sampleou”, lembrou ele). E a live terminou com mais uma música de “Cinzento” que, sem que ele planejasse, serviu bem para os dias de hoje: “Se proteja”

Dona Onete

Sem dúvida, o show mais animado do domingo. Do sofá de casa em Belém, acompanhada por dois músicos, a grande dama do carimbó e demais ritmos dançantes do Norte do país usou de todo seu talento para levantar o povo da cadeira com músicas como “Queimoso e tremoso”, “Boto namorador”, “No meio do pitiú”, “Festa do tubarão” e “Treme”. No meio de “Amor brejeiro”, a própria Dona Onete levantou do sofá e arriscou uma dancinha. “Se aquiete em casa, não vá fazer estripulia na rua”, pediu ela, antes de encerrar a live com “Proposta indecente” e “Banzeiro”.

Lucy Alves

“Boa noite, quarenteners!”, anunciou-se a cantora, atriz e sanfoneira, em total animação, depois de iniciar sua live com um mashup de “Chorando se foi” (do Kaoma) e “Verdadeiro amor”. Depois de trocar a sanfona pela guitarra, Lucy ainda surpreendeu ao interpretar “Bixinho” (de Duda Beat) e “A paz” (de João Donato e Gilberto Gil), uma canção para “levar calmaria aos corações”. E acabou caindo no rock, ao fim, com “Chorando e cantando”.

Momo

De Portugal, o cantor e compositor mineiro recomendou: “Vamos ficar em casa, para deixar essa maré passar!” E apenas com a companhia de seu violão, entregou sua voz dolente a sambas introspectivos como “Flores do bem”, “Nanã” (parceria com Wado), “Marigold” e “Diz a verdade” (ambas com Tiago Camelo), “Esse mar” e “Tenho que seguir”.

Pedro Miranda

À beira das lágrimas, o cantor e compositor carioca abriu sua live com um emotivo samba de Paulinho da Viola, “Coisas do mundo, minha nega”, e seguiu por “Samba original” (Elton Medeiros e Zé Keti),

“Tô” (Elton e Tom Zé) e os baiões “Maçã do rosto” (Djavan) e “Juazeiro” (Luiz Gonzaga), deixando ali escapar suas saudades do Forró da Gávea. “Eu não posso nem chamar um violonista...”, desculpou-se Pedro, por ter que se acompanhar do seu próprio violão.

Jorge Vercillo

Em clima caseiro, acompanhado pelo violão do filho Vinicius, o cantor e compositor passeou por hits como “Linda flor”, “Ela une todas as coisas”, “Signo de ar” e “Personagem”. Vercillo aproveitou a ocasião, de combate ao coronavírus, para fazer seu manifesto pelo meio-ambiente: “Os recursos do planeta e nós estamos caminhando pra oito bilhões de pessoas encarnadas no planeta Terra. Seu eu pudesse, eu já seria vegetariano.”

Hamilton de Holanda

“Chegou o momento de a gente mais do que nunca ter solidariedade e compaixão”, pregou o bandolinista (que deixou de fazer shows nos Estados Unidos por causa da pandemia), em uma live basicamente instrumental, na qual juntou composições de Jacob do Bandolim, Milton Nascimento, Chico Buarque e a dupla Tom em Vinicius (um “Chega de Saudade”, no qual ele também cantou).

Simone Mazzer

Com participação não planejada do cão Lupe, a performática cantora passou por alguns dos seus hits (“Tango do mal”, “Estrela blue”), cantou Tim Maia (“Ela partiu”) e Nelson Cavaquinho (“Duas horas da manhã”), além de adiantar a inédita “Sem lei”, de Duda Brack e Iara Rennó.

Matheus VK

O cantor e compositor deu a partida no domingo do #tamojunto tentando recriar o clima de baile dos seus shows numa live caseira com a mulher, Daniela, e a filha pequena, Cora. Com o samba “Tá escrito”, de Xande de Pilares, ele abriu um set animado por músicas próprias (“Fervo”, “Vou me derreter”, “Amor sem legenda”) e clássicos da música baiana como “Auê” (Cheiro de Amor) e “Beija-flor” (Timbalada).