Tanure é alvo de investigação por compra de sentenças favoráveis a estaleiro

Chico Otavio

Investigações conjuntas do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e do Ministério Público Federal (MPF), iniciadas com a delação premiada do perito judicial Charles William, apuraram que o empresário Nelson Tanure pagou R$ 1,68 milhão ao juiz João Amorim, da 11ª Vara de Fazenda Pública, por duas sentenças favoráveis ao estaleiro Verolme Ishibrás, do Grupo Docas. Segundo Charles William, as propinas teriam sido pagas em 2012 e 2014 e permitiram à empresa embargar duas execuções fiscais em andamento na vara de Amorim.

Seis endereços de Nelson Tanure e a residência do advogado Joel Fernandes Pereira da Fonseca, que teria intermediado o negócio, fizeram parte dos 22 alvos de busca e apreensão de operação deflagrada na sexta-feira passada, pelo MP-RJ e pela Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio, para apurar a suposta prática de venda de sentenças envolvendo João Amorim.

O advogado de Nelson Tanure, Diogo Tebet, disse ao GLOBO que sobre esse assunto não tem nada a declarar “especialmente porque trata-se de procedimento sob segredo de justiça”.

— De qualquer forma, posso aduzir que não há qualquer acusação contra Nelson Tanure, especialmente relativo a fato tão grave como esse por você mencionado — comentou Tebet.

Procurado pelo telefone residencial, o juiz João Amorim não retornou após o pedido do GLOBO. O Joel da Fonseca, também procurado pelo número de celular relacionado ao seu escritório, também não respondeu.