Tarcísio afirma que não deve aumentar tarifa do transporte metropolitano

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador eleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), 47, afirmou na manhã desta segunda-feira (31) que não irá aumentar a tarifa do metrô, trem e ônibus intermunicipais, o que foi uma das promessas da campanha do ex-ministro bolsonarista. A declaração foi dada em entrevista ao SP1, da Globo.

Tarcísio também disse querer ampliar o uso do bilhete metropolitano, o cartão Top, fazendo com que este seja aceito nos ônibus municipais de São Paulo, estações de trem e metrô e também em linhas gerenciadas pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo). Não foi dito quando o projeto seria posto em prática.

"Estamos estudando a ampliação do bilhete metropolitano. Nós temos hoje o Bilhete Único pegando aqui o ônibus na cidade de São Paulo, pegando ai o Metrô, pegando a CPTM. A gente quer estender isso para a EMTU. Já fizemos as contas. A gente já sabe quanto é que isso custa e quanto a gente tem que aportar de subsídio para que aquelas pessoas que moram mais longe paguem menos", declarou Tarcísio.

O valor da tarifa do transporte público na cidade de São Paulo, por exemplo, já foi reajustado nove vezes desde 2010, quando custava R$ 2,70. Hoje, o passageiro paga R$ 4,40.

Em junho deste ano, o governador Rodrigo Garcia (PSDB), derrotado na eleição, também afirmou que as tarifas do metrô e da CPTM também não aumentariam. O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), acompanhou a decisão.

Nunes afirmou que já são dois anos sem aumento da passagem, apesar dos reajustes nos combustíveis, por exemplo. Ele disse que o novo valor do subsídio depende muito de como vai ser o custeio e o volume de passageiros ao longo do ano, mas aponta para um acréscimo substancial no repasse de recursos. "A gente imagina que deva passar de R$ 4 bilhões neste ano", afirmou o prefeito, à época.

Segundo Nunes, a manutenção da tarifa e o encarecimento dos custos de transporte levam a um repasse maior. "Evidentemente, teremos que aportar mais recursos de subsídio, como o estado vai fazer com o Metrô também, né? Porque o Metrô é uma empresa não dependente e vai passar a ser dependente, porque vai ter que ter recurso do governo para manter a tarifa."

Nunes disse também que a ação conjunta da prefeitura e do estado para manter o valor da tarifa é uma política pública. "Porque tem uma retomada econômica, São Paulo está gerando empregos, mas temos muitos desempregados. Na capital, temos 800 mil desempregados, 11% do público ativo procurando empregos", disse.

Procurada na tarde desta segunda-feira (31), a Prefeitura de São Paulo disse que o governador eleito possui autonomia para fazer ou não o reajuste, assim como o prefeito, mas a decisão costuma ser acordada entre as partes.

O ex-ministro também foi perguntado sobre vacinação infantil. O tema entrou na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes quando Tarcísio, em debate de segundo turno realizado no SBT, afirmou que não obrigaria pais a vacinarem seus filhos. O ex-candidato Fernando Haddad (PT) utilizou essa afirmação para atacar o republicano.

Tarcísio disse que defende a liberdade de pais decidirem vacinar as crianças, mas afirma ser fácil demonstrar a importância da imunização.

"O Brasil sempre foi um case de sucesso. O Plano Nacional de Imunização é bem-sucedido, e nós vamos trabalhar para que a gente sempre tenha uma grande cobertura vacinal. Para que a gente cuide do futuro dos nossos jovens, do futuro dos nossos filhos e continue trabalhando para erradicar doenças [...]".

Em entrevista concedida a jornalistas na noite do último domingo (30), o governador eleito disse que pretende acabar com a obrigatoriedade de vacinação dos servidores estaduais, também uma promessa feita durante a campanha.

"A obrigatoriedade da vacina, realmente, pretendo acabar. Eu confio na consciência das pessoas, na liberdade das pessoas. Conscientizando os servidores públicos, trabalhando na importância da publicidade da vacinação", declarou.