Tarcísio agora planeja colar em Bolsonaro, mas sem aderir à guerra cultural

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 30.07.2022 - O ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos). (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 30.07.2022 - O ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos). (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de desgastes com a base de Jair Bolsonaro (PL), o ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos) vai colar sua imagem à do presidente como estratégia para chegar ao segundo turno da eleição para o Governo de São Paulo.

Aliados de Tarcísio, no entanto, afirmam que ele não vai engrossar embates ideológicos do seu padrinho, como os ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e às urnas eletrônicas, nem aderir à guerra cultural encampada pela ala bolsonarista mais radical.

A defesa que o ex-ministro faz de Bolsonaro e de seu governo costuma ser pautada em seus feitos no ministério, como os leilões à iniciativa privada.

Por se apresentar como alguém mais moderado que Bolsonaro e acenar em direção ao centro, Tarcísio chegou a ser cobrado por bolsonaristas do entorno do presidente por escondê-lo na campanha. A crítica era de que o ex-ministro não estava tocando em temas caros a esse público.

O próprio Tarcísio já apontou que tem diferenças em relação a Bolsonaro. "Eu nunca fui radical", disse ele a jornalistas antes de um almoço com empresárias, em São Paulo, no fim de julho. "Mantive uma linha pragmática no ministério", emendou.

Na campanha, o ex-ministro se aliou com o PSD, de Gilberto Kassab, e terá Felício Ramuth (ex-tucano hoje no PSD) como vice. Também escolheu Marcos Pontes (PL) como candidato ao Senado no lugar de boslonaristas mais militantes, como Carla Zambelli (PL) ou Marco Feliciano (PL).

Em reunião na semana passada, porém, a avaliação da campanha de Tarcísio foi a de que o ex-ministro precisa colar em Bolsonaro para replicar sua intenção de votos no estado e chegar ao segundo turno. O apelo ao centro ficaria para a segunda etapa da disputa.

"Todo mundo que conhece o presidente e está conhecendo o Tarcísio sabe que [os dois] são da pauta conservadora", afirma o deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP), que é próximo de Bolsonaro e fez a articulação do ex-ministro com Kassab. "Ele [Bolsonaro] sabe que São Paulo é um país à parte e precisa de alianças próprias", completa.

A última pesquisa Datafolha, de junho, mostra Fernando Haddad (PT) liderando a corrida com 34%. Tarcísio está empatado com o governador Rodrigo Garcia (PSDB), com 13%.

Em 1º de julho, o Datafolha mostrou que Bolsonaro chega a 30% no estado, contra 43% de Lula (PT). Estrategistas de Tarcísio apontam que 40% dos eleitores de Bolsonaro em SP ainda não conhecem o ex-ministro e, por isso, o elo entre eles precisa ser reforçado.

Dirigentes do Republicanos também avaliam que vale explorar a ligação entre Tarcísio e Bolsonaro em um estado conservador como São Paulo, mesmo com a alta rejeição do presidente.

Como mostrou o Datafolha, Bolsonaro é o pior padrinho político no estado: 64% dos paulistas não votariam de forma alguma em um nome apoiado por ele.

Apoiadores de Tarcísio, no entanto, o veem competitivo apesar disso. Neste momento, a campanha está concentrada em superar Rodrigo, visto como o principal adversário. No segundo turno, acreditam ser possível bater o PT.

Os acenos de Rodrigo ao eleitor bolsonarista -o governador chegou a enviar um abraço ao presidente durante uma agenda no interior-- também foram determinantes para que a campanha de Tarcísio decidisse abraçar Bolsonaro de vez.

Interlocutores de Tarcísio minimizam os conflitos com o bolsonarismo radical. Eles pontuam que o ex-ministro já fora cobrado antes a entrar na guerra cultural e não o fez -e que Bolsonaro, mesmo sabendo dessa diferença, o escolheu candidato em SP e não o pressiona a seguir uma cartilha.

Em relação à Covid-19, por exemplo, enquanto Bolsonaro classificou a pandemia como uma gripezinha, Tarcísio se vacinou e vacinou os filhos.

Nesta semana, porém, Tarcísio também sinalizou para o eleitor de direita em um ataque ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), historicamente ligado a partidos de esquerda.

"Esse fantasma do MST tem que ser banido do Brasil", disse em conversa com empresários em Presidente Prudente (SP).

Aliados do presidente admitem que o próprio ficou irritado com a falta de menções ao seu nome pelo ex-ministro em eventos. Como resposta, afirmam, Bolsonaro não citou o nome de Tarcísio em discurso na Marcha para Jesus, em São Paulo, no começo de julho.

Já o entorno de Tarcísio afirma que a relação com o presidente está ótima. Eles dizem que o episódio na Marcha para Jesus foi um ponto fora da curva, ocorrido por um pedido feito pela organização do evento ao presidente para que ele não misturasse política em sua fala.

Outros candidatos, como Rodrigo e Simone Tebet (MDB), que disputa a Presidência, porém, discursaram no palco.

A avaliação da campanha é a de que o fato de Bolsonaro patrocinar a candidatura de Tarcísio já serve de ponto de partida para que os eleitores o identifiquem como conservador e alinhado com o presidente.

A máxima nos bastidores é a de que o ex-ministro não pode nem quer se descolar do seu tutor político.

Para eles, Tarcísio acena para o centro naturalmente por suas diferenças com Bolsonaro. Daí veio a ideia de "nuances" que será empregada em sua comunicação, como explicou o publicitário Pablo Nobel.

"Queremos mostrar que somos, sim, bolsonaristas, mas com nuances", disse Nobel ao Painel ao explicar o tom de verde e amarelo distinto da campanha presidencial.

A tensão de uma campanha com um pé em cada canoa, no entanto, se reflete na própria equipe que aconselha Tarcísio, com uma coordenação que inclui Kassab, desafeto de Bolsonaro, e Renato Bolsonaro, irmão do presidente.

O anúncio da aliança com o PSD nas redes de Tarcísio, por exemplo, causou uma onda de comentários negativos --sobretudo em relação a Kassab.

Mas políticos experientes do PSD e do Republicanos afirmam ser possível conciliar a atenção à base bolsonarista e a conquista de eleitores de centro que rejeitam Bolsonaro. Eles dizem que Tarcísio tem se mostrado de forma autêntica e que sua experiência vai atrair votos de ambos os públicos.

Já um representante da ala bolsonarista mais radical afirma que, por estar junto de Bolsonaro na campanha, é impossível que Tarcísio dissocie sua imagem de marcas registradas do presidente, como falas golpistas.

Este mesmo bolsonarista compartilha da avaliação de que alinhar-se diretamente ao presidente seria o suficiente para levar Tarcísio ao segundo turno. Uma vez vencida essa etapa, seria a hora de sinalizar ao centro -e não o contrário.

Outros bolsonaristas ouvidos pela reportagem adotam tom mais pragmático e dizem que a base do presidente precisa entender que não se trata de eleição de síndico, ou seja, é preciso furar a bolha e atrair aliados. Desde que, ressalvam, Tarcísio não fique descaracterizado e mantenha sua identidade conservadora.

O deputado estadual Frederico D'Avila (PL), que acompanha Tarcísio, aponta que a característica mais moderada do candidato se dá pelo seu perfil técnico. "As pessoas às vezes querem que ele [Tarcísio] repita [o comportamento de Bolsonaro]. E como ele é engenheiro, ele volta o discurso mais para as áreas técnicas. Ele só entraria na área ideológica se fosse provocado", opina.

CHAPAS DOS PRINCIPAIS CANDIDATOS AO GOVERNO DE SP

Fernando Haddad (PT)

Vice: indefinido Senado: Márcio França (PSB) Coligação: PT, PC do B, PV, PSB, PSOL e Rede Rodrigo Garcia (PSDB)

Vice: indefinido Senado: indefinido Coligação: PSDB, Cidadania, União Brasil, MDB, PP, Podemos, Solidariedade, Patri, Pros e Avante Tarcísio de Freitas (Republicanos)

Vice: Felício Ramuth (PSD) Senado: Marcos Pontes (PL) Coligação: Republicanos, PSD, PL, PSC e PTB Candidaturas já confirmadas Vinícius Poit (Novo)

Vice: Doris Alves

Senado: Luis Mellão NovoColigação: Novo

Gabriel Colombo (PCB)

Vice: Manoel Messias

Senado: Tito Belini

Altino Júnior (PSTU)

Vice: Professora Flávia

Senado: Mancha

Coligação: PSTU

Elvis Cezar (PDT)*

Vice: Não definido

Senador: Aldo Rebelo

Coligação: PDT

* Convenção ainda ocorrerá no dia 4

Desistiram de concorrer a governador Abraham Weintraub (PMB)

Tentará vaga de deputado federal

Felício Ramuth (PSD)

Será vice de Tarcísio de Freitas

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