Tarcísio atenua discurso liberal e evita se comprometer com venda da Sabesp

*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 15.03.2022 -Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro e pré-candidato ao Governo de SP. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 15.03.2022 -Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro e pré-candidato ao Governo de SP. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em sua estratégia de adotar o bolsonarismo "com nuances", Tarcísio de Freitas (Republicanos) não pretende vestir o figurino do liberalismo extremado, como defendido pela equipe econômica de Paulo Guedes.

O programa do candidato ao governo de São Paulo que está sendo finalizado descarta, por exemplo, se comprometer com a privatização da Sabesp, hoje uma das principais estatais paulistas.

A empresa tem valor estratégico, segundo o coordenador do programa, Guilherme Afif Domingos. "A Sabesp está presente em 360 municípios, portanto temos que tomar cuidado pela importância que ela tem. Não se pode precipitar nenhuma medida", declara Afif.

Outro ponto mencionado pelo coordenador é o fato de a Sabesp não ser apenas uma empresa de água e esgoto, mas ter também um componente ambiental, uma vez que atividade afeta as bacias hidrográficas do estado.

Os argumentos destoam da pregação de Guedes e outros liberais que estão ou passaram pelo governo de que o setor privado, por princípio, é sempre mais adequado para administrar a economia e que não deveria haver empresas estatais.

Segundo Afif, a chave para a Sabesp é a eficiência. "Não é nossa a visão dizer ‘ah, vamos privatizar tudo’. Tem que ver o que é eficiente e o que não é".

Ao mesmo tempo, diz ele, é fundamental que outras empresas entrem no mercado para competir com a estatal.

"A nova lei do saneamento dará oportunidade para outras empresas entrarem no sistema. A partir daí, você vai começar a ter comparação. Hoje é quase um monopólio e não dá para medir a eficiência", declara.

A ideia de um possível governo Tarcísio seria analisar o desempenho da empresa após um período, para então avaliar eventuais mudanças e eventualmente até mesmo a privatização.

"Nós não defendemos nenhum monopólio, seja estatal ou privado. Como dizia o [ex-ministro] Roberto Campos, monopólio quem é competente não precisa, e quem não é não merece", declara Afif.​

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