Tarcísio em 1º em SP surpreende Haddad e dá força ao bolsonarismo

SÃO PAULO, SP, 02.10.2022 - O candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), no prédio do coordenador de campanha, Guilherme Afif, faz pronunciamento sobre resultado da apuração dos votos nas eleições 2022, na zona oeste de São Paulo. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 02.10.2022 - O candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), no prédio do coordenador de campanha, Guilherme Afif, faz pronunciamento sobre resultado da apuração dos votos nas eleições 2022, na zona oeste de São Paulo. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O candidato de Jair Bolsonaro (PL) ao Governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), terminou em primeiro lugar com 42,3%, à frente de Fernando Haddad (PT), candidato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 35,7% de votos válidos.

Até a reta final, Tarcísio aparecia em segundo lugar nas pesquisas. O bolsonarista, no entanto, estava numa curva crescente, ao contrário de Haddad, que foi desidratando. Tarcísio é visto como favorito no estado, que é tido como conservador e que sempre elegeu governadores de direita.

O resultado não surpreendeu a campanha de Tarcísio, que, desde o fim da semana passada, esperava que o bolsonarista terminasse colado no petista ou à frente dele.

Os aliados de Tarcísio consideravam importante que o candidato tivesse uma vantagem numérica sobre Haddad, para que o petista chegasse diminuído ao segundo turno. Além disso, a chegada em primeiro lugar fortalece o palanque de Bolsonaro no estado.

Em São Paulo, Bolsonaro terminou com 47,8%, e Lula teve 40,9%.

Entre aliados de Haddad, o clima na noite deste domingo (2) era de surpresa com uma onda bolsonarista não captada pelas pesquisas de opinião. O petista passou a campanha reservando críticas mais duras a Rodrigo do que a Tarcísio, na expectativa de tirar o tucano do segundo turno e com a previsão de que enfrentar o bolsonarista seria mais fácil.

Em entrevista à imprensa, Haddad afirmou que o voto útil favoreceu o bolsonarismo, já que parte dos votos que iriam para Rodrigo migraram para Tarcísio.

Na avaliação dele, como aqueles favoráveis a Tarcísio dentro do grupo de eleitores tucanos já mudaram seu voto no primeiro turno, ainda cabe disputar o voto do contingente que permaneceu fiel ao tucano, que marcou 18,4% dos votos.

"[O resultado] era um pouco menos do que almejávamos, mas perto dos 40% que era a meta do estabelecida do início da campanha", disse Haddad, ressaltando que foi o melhor resultado do PT no estado e que vê boas perspectivas para o segundo turno.

Tarcísio vinha reduzindo distância de Haddad desde agosto A diferença entre Haddad e Tarcísio já vinha caindo nas simulações de segundo turno do Datafolha. Em 18 de agosto, o petista tinha 53% contra 31%. Na pesquisa de véspera, no sábado (1º), a diferença era de 5 pontos --46% a 41% para Haddad.

Além da derrota para Tarcísio no primeiro turno, outro índice que evidencia a dificuldade de Haddad no segundo turno é sua rejeição --de 40% contra 33% de Tarcísio.

Há ainda, sobretudo da parte de aliados de Tarcísio, a expectativa de que os votos do governador Rodrigo Garcia (PSDB), que não foi para o segundo turno, migrem para o bolsonarista. Segundo o Datafolha, 44% dos eleitores tucanos escolheriam Tarcísio e 33%, Haddad.

No segundo turno, a campanha de Tarcísio planeja seguir a estratégia de explorar o apoio de Bolsonaro o máximo possível, em eventos, carreatas e propagandas no rádio e na TV.

A equipe de Tarcísio também quer aumentar a carga contra Haddad, apontando suas falhas na gestão na Prefeitura de São Paulo.