Tarcísio de Freitas tenta convencer Bolsonaro a fazer discurso de pacificação para desbloquear rodovias

O governador eleito de São Paulo e ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas entrou nas tentativas de convencer o presidente Jair Bolsonaro a fazer uma manifestação pública de pacificação, solicitando que os caminhoneiros saiam das rodovias e encerrem os bloqueios. A participação de Tarcísio é importante porque ele foi o encarregado de negociar com os caminhoneiros durante o governo Bolsonaro, em vários momentos em que houve possibilidade de paralisação.

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Os caminhoneiros autônomos são uma das categorias mais próximas ao presidente. Tarcísio reconhece, nas conversas que tem mantido com autoridades de dentro e fora do governo, que os manifestantes só vão deixar as ruas quando houver um pronunciamento de Bolsonaro.

Nesta terça-feira, integrantes do Judiciário começaram uma série de conversas com ministros e aliados do presidente pedindo que eles convençam o candidato derrotado a pedir que os caminhoneiros saiam das rodovias bloqueadas por caminhoneiros. O ministro da Economia, Paulo Guedes, também está em contato com integrantes do Judiciário e com o presidente, além de Tarcísio.

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Nessas conversas, ele afirmam que têm tentado sensibilizar Bolsonaro a fazer um discurso pedindo que as rodovias sejam liberadas. As tratativas estão sendo feitas pelo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e por outros magistrados da Corte. As conversas ainda envolveram o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de acordo com interlocutores.

A avaliação de todos é que uma declaração do mandatário é essencial para conter os movimentos de seus apoiadores nas ruas. Bolsonaro está há cerca de 40 horas em silêncio desde que perdeu a eleição.

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Os caminhoneiros bolsonaristas ocuparam trechos de rodovias em estados do país desde segunda-feira, em protesto contra a derrota de Bolsonaro. Na noite de segunda, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que a Polícia Rodoviária Federal e as polícias militares dos estados tomem ações imediatas para desobstrução das vias ocupadas ilegalmente. Aliados de Bolsonaro criticaram essa decisão, por entender que ela “insuflou” os ânimos dos manifestantes.