Tarcísio põe conservadores na transição, mas aliados de Kassab incomodam bolsonaristas

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.10.2022 - O governador eleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.10.2022 - O governador eleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Membros de partidos que compuseram a coligação do governador eleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou que o apoiaram no segundo turno afirmam ver uma equipe de transição mais técnica do que política -conforme ele havia prometido.

Apesar da inclusão de bolsonaristas na lista, houve reclamações entre alguns aliados, especialmente os ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PL), que veem a direita conservadora preterida na relação de 105 nomes apresentada nesta terça-feira (22).

Os integrantes da equipe de transição foram divididos em oito áreas temáticas. Não necessariamente esses nomes farão parte do governo, segundo Tarcísio.

Há uma mistura de pessoas que trabalharam com Tarcísio no Ministério da Infraestrutura, ex-assessores do ministro Paulo Guedes (Economia), bolsonaristas, evangélicos e membros de partidos aliados, como Republicanos, PL e PSC.

Há ainda pessoas ligadas ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, e ex-integrantes de gestões do PSDB no estado.

O governador eleito designou o ex-vice-governador Guilherme Afif (PSD), ligado a Kassab e a Guedes, como coordenador da transição.

Interlocutores de Bolsonaro reclamam de subrepresentação, já que atribuem ao apadrinhamento do presidente o fato de Tarcísio ter sido eleito. De forma reservada, eles afirmaram à reportagem que o grupo escolhido tem muita influência de Kassab e parece tucano, como o de governos anteriores do PSDB.

De acordo com membros do PSDB, Rodrigo Garcia não teve influência na escolha de Tarcísio, de modo que as indicações de pessoas que trabalharam com Geraldo Alckmin (PSB), com João Doria (sem partido) e com o atual governador devem ter partido de Kassab, que tinha boa relação com o tucanato estadual.

Há na equipe também nomes que integraram a gestão de Kassab na prefeitura da capital paulista.

No entendimento de apoiadores de Bolsonaro, são listados como conservadores bolsonaristas apenas os deputados estaduais Frederico D'Ávila (PL) e Valéria Bolsonaro (PL); o deputado federal Capitão Derrite (PL) e a vereadora Sonaira Fernandes (Republicanos), que é ligada ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Há ainda o coronel Mello Araújo, ex-comandante da Rota que chefia a Ceagesp.

Mesmo nomes que aderiram ao bolsonarismo não são considerados por aliados de Bolsonaro como um gesto de Tarcísio à sua base eleitoral. A deputada federal Rosana Valle, que é do PL, não é tida como bolsonarista raiz, assim como o ex-secretário Filipe Sabará (Republicanos), que era ligado a Doria.

O deputado federal Cezinha de Madureira (PSD), apesar de ter sido líder da bancada evangélica, grupo que votou majoritariamente em Bolsonaro e Tarcísio, é visto mais como uma indicação de Kassab do que um representante dos evangélicos.

Ele está no núcleo de Desenvolvimento Social, Mulheres e Direitos da Pessoa com Deficiência, que tem outros evangélicos, como o vereador paulistano Gilberto Nascimento Jr. e Sonaira.

O ex-secretário de Segurança de São Paulo Antonio Ferreira Pinto é da chamada linha-dura na segurança, mas trabalhou em governos tucanos.

Ainda segundo bolsonaristas ouvidos pela reportagem, já era esperado que Tarcísio tivesse um time mais técnico e mais próximo do PSD do que do conservadorismo ideológico, pois ele deu sinais dessa preferência durante a campanha.

Para interlocutores de Bolsonaro, a insatisfação da base ideológica não deve chegar a atrapalhar Tarcísio, mas suas escolhas deixam claro que a preferência por técnicos sobre políticos só vale quando se trata de políticos bolsonaristas --não quando se trata de políticos do PSD, por exemplo.

Além de Afif e do vice Felício Ramuth, integram o grupo de nomes indicados pelo PSD o ex-deputado Eleuses Paiva (PSD) e os ex-secretários municipais na gestão de Kassab na capital paulista Marcelo Branco e Miguel Bucalem.

Na Assembleia Legislativa, a divulgação da lista se tornou assunto entre os deputados e houve reclamação de que há mais parlamentares federais do que estaduais na equipe.

De modo geral, porém, membros de partidos da base de Tarcísio, como PL, Republicanos e PSD, demonstraram apoio à escolha do governador, apesar de classificarem como mais técnica do que política.

"Da minha parte, eu respeito a escolha do governador, vamos estar aqui para apoiar o governo", diz o deputado estadual Alex de Madureira (PL). Ele menciona que a complexidade do estado de São Paulo deve ter orientado a decisão de Tarcísio: "ele precisa de um bom quadro técnico para começar o governo".

Partidos que apoiaram Rodrigo Garcia no primeiro turno e migraram para Tarcísio no segundo, como União Brasil, PP e o próprio PSDB, não marcaram presença na lista.

Entre esses partidos, há figuras importantes tentando manter o espaço que já têm no governo. Um deles é o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, dirigente da União Brasil, que mantém influência e indicação de cargos na pasta de Logística e Transporte.

Durante a eleição, ele mobilizou seu reduto por Tarcísio e Bolsonaro.

Até o momento, Leite não foi contemplado nesta área de infraestrutura, que conta com vários integrantes do grupo de Gilberto Kassab. A reportagem apurou que ele tem atuado nos bastidores para reverter o jogo a seu favor, o que inclui acenos em sua atuação na Câmara Municipal de São Paulo.

Tarcísio, porém, quer blindar pastas de infraestrutura, sua área de origem, levando apenas técnicos de sua confiança para lá.

O coordenador da transição, Guilherme Afif Domingos, afirmou que os partidos aliados poderão indicar nomes para fazer parte do governo. Mas já mandou recado que a influência será menor do que acontece atualmente no governo.

"Os partidos vão participar, mas podem indicar nomes para o critério técnico estabelecido pelo governador. [Os nomes] Têm que passar pelo crivo, e não há porteira fechada", disse.

Tarcísio, por sua vez, adiantou que há espaço para o aparecimento de nomes que hoje não estão na transição como secretários. Porém tem indicado que esses também pertencem à chamada ala técnica e atualmente podem estar em empresas ou organismos internacionais.

Veja a lista dos integrantes da equipe:

COORDENAÇÃO DA TRANSIÇÃO

Guilherme Afif Domingos (Coordenação Geral)

Arthur Luis Pinho de Lima

Lais Vita

Priscilla Perdicaris

Nelson Hervey Costa

AGRICULTURA E ABASTECIMENTO

Coronel Mello de Araújo

Edivaldo Del Grande

Frederico D'Avila

Guilherme Piai

Guilherme Ribeiro

João Sampaio

Ricardo Amadeu Sassi

DESENVOLVIMENTO SOCIAL, MULHERES E DIREITOS PCD

Ana Maria Velloso

Cezinha de Madureira

Cid Torquato

Cristiane Freitas

Deise Duque-Estrada

Filipe Sabará

Gilberto Nascimento Júnior

Marcone Vinicius Moraes de Souza

Maria Rosa

Rita Passos

Rosana Valle

Simone Marquetto

Sonaira Fernandes

Educação, Cultura e Esportes

Aildo Rodrigues

André Simmonds

Filomena Siqueira

Gustavo Souza Garbosa

Jair Ribeiro

José Roberto Walker

Karen Cristina Garcia

Lana Romani

Marcelo Magalhães

Maurreen Maggi

Patricia Borges

Paula Trabulsi

Pedro Machado Mastrobuono

Renato Feder

Talmo Oliveira

Thiago Peixoto

Valeria Bolsonaro

Vinícius Mendonça Neiva

GESTÃO, DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA E GESTÃO E FINANÇAS

Anderson Correia

Bruno D'Abadia

Felicio Ramuth

Jorge Lima

Lucas Ferraz

Ricardo Britto

Rodrigo De Losso

Rui Gomes

Samuel Kinoshita

Vinicius Poit

MEIO AMBIENTE, HABITAÇÃO E INFRAESTRUTURA

Bruno Serapião

Claudio Bernardes

Lair Krahenbuhl

Marcelo Branco

Marcelo Coluccini

Marco Aurelio Costa

Marta Lisli Giannichi

Miguel Bucalen

Natália Resende Andrade Ávila

Paulo Ferreira

Rafael Benini

Ricardo Pereira Leite

Sérgio Henrique Codelo Nascimento

SAÚDE

Chao Lung Wen

Edmundo Baracat

Edson Rogatti

Eleuses Paiva

Esper Kallás

Fabio Jatene

Francisco Assis Cury

Francisco Ballestrin

Giovanni Guido Cerri

Gustavo Pereira Fraga

Helencar Ignacio

Helio Paiva

João Lauro Viana Camargo

José Eduardo Lutaif Dolci

José Luiz Gomes do Amaral

José Osmar Medina Pestana

Olímpio Bittar

Paulo Manoel Pego Fernandes

Sergio Okane

Tarcisio Eloy Pessoa Barros Filho

SEGURANÇA PÚBLICA E ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA

Antônio Ferreira Pinto

Artur José Dian

Cássio Araújo de Freitas

Guilherme Muraro Derrite

João Henrique Martins

Nelson Santini

Paulo Maculevicius

Raquel Kobashi Gallinati Lombardi

Rodrigo Garcia Vilardi

TURISMO

Alain Baldacci

Alessandra Abrão

Alessandro Guiche

Ana Biselli

Armando Arruda Pereira de Campos Mello

Fernando Guinatto

Roberto de Lucena

Sergio Souza

Virgilio Nelson da Silva Carvalho