Tarcísio recua na nomeação de cunhado como assessor especial em SP

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 31.03.2022 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 31.03.2022 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou atrás na nomeação de seu cunhado Mauricio Pozzobon Martins como assessor especial. A nomeação foi publicada no Diário Oficial de quarta-feira (11) e, nesta quinta-feira (12), Tarcísio tornou o decreto de nomeação do dia anterior sem efeito.

O cunhado de Tarcísio, que é militar, já havia sido contratado pela campanha eleitoral do governador, como mostrou a Folha. Também foi esse mesmo cunhado que alugou a Tarcísio um imóvel em São José dos Campos, no interior de São Paulo, por valor inferior ao de mercado.

O governo não respondeu à reportagem sobre as razões da nomeação e tampouco se manifestou sobre o recuo. Como assessor especial do governador, Martins teria um salário inicial de R$ 21.017,85.

Na quarta, o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) enviou uma representação ao Ministério Público de São Paulo pedindo que o órgão apure a possível prática de improbidade administrativa por parte de Tarcísio ao nomear seu cunhado.

O parlamentar da oposição menciona que a lei de improbidade proíbe a nomeação de "cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau".

Tarcísio, no entanto, manteve a nomeação do cunhado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem é aliado. Diego Torres Dourado, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, foi nomeado, como mostrou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, para o cargo de "assessor especial do governador 1", com vencimento inicial previsto de R$ 19.204,22 ao mês.

Martins é militar e foi para a reserva em 2019. Segundo o currículo dele, desde então e até junho de 2021, o militar atuou na Infraero, órgão vinculado ao Ministério da Infraestrutura, que era comandado por Tarcísio.

O cunhado de Tarcísio também atuou na campanha eleitoral. Ele recebeu R$ 40 mil a título de serviços de administração financeira para a campanha do candidato bolsonarista.

O pagamento consta na prestação de contas entregue por Tarcísio ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que não informa se o cunhado recebeu por meio do fundo eleitoral (dinheiro público) ou de doações de pessoas físicas.

Para comprovar o domicílio eleitoral em São Paulo, Tarcísio, que é carioca e fez carreira em Brasília, apresentou à Justiça Eleitoral um contrato de aluguel firmado com Martins referente ao apartamento num bairro nobre de São José dos Campos.

Trata-se de um apartamento de 176 m², com três vagas na garagem, comprado pelo cunhado do ex-ministro de Bolsonaro em 2015, segundo matrícula do cartório. O imóvel está avaliado em cerca de R$ 1,6 milhão, usando como base apartamentos similares anunciados à venda.

O aluguel cobrado, de R$ 1.185 por mês, está bem abaixo do de imóveis da região. Um apartamento com padrão semelhante na cidade tem aluguel por volta de R$ 7.000 mensais, segundo sites imobiliários.

A candidatura chegou a ser impugnada em razão da ausência de comprovação do domicílio eleitoral em São Paulo. Por fim, a Justiça Eleitoral deferiu o registro da chapa.

Conforme a Folha de S.Paulo mostrou, Tarcísio não vivia no imóvel, que estava em reforma. À reportagem ele disse, na ocasião, manter base na capital devido aos compromissos de campanha. A falta de ligação entre Tarcísio e o estado de São Paulo foi explorada por adversários na campanha.