Tarcísio se reúne com Eduardo Bolsonaro antes de definir equipe de transição

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (PL), se reuniu nesta segunda-feira (21) com o governador eleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), antes do anúncio dos nomes que vão compor a equipe de transição paulista.

Depois de uma campanha em que prometeu um secretariado técnico, Tarcísio vinha sendo cobrado pela base bolsonarista a abrir espaço para aliados do presidente na equipe de transição e no seu futuro secretariado. Bolsonaro foi o grande fiador da candidatura de Tarcísio, seu ex-ministro da Infraestrutura, em São Paulo.

Nesta segunda, Eduardo e Tarcísio buscam acertar os ponteiros sobre a participação na transição e no governo. O deputado federal chegou durante a tarde ao edifício Cidade 1, no centro de São Paulo, onde o time de Tarcísio se reúne para a transição. Ele esteve acompanhado do deputado estadual Gil Diniz (PL-SP).

De acordo com auxiliares de Tarcísio, os nomes da equipe de transição devem ser apresentados ainda nesta segunda.

Houve movimento de entra e sai de aliados durante toda a tarde no prédio localizado na rua Boa Vista, no centro da capital paulista. O deputado federal Vinícius Poit (Novo) também esteve no local —Poit, que também concorreu ao Governo de São Paulo, apoiou Tarcísio no segundo turno.

Até agora, Tarcísio se cercou de pessoas com quem já trabalhou anteriormente no ministério, além de nomes próximos a Guilherme Afif (PSD), Gilberto Kassab (PSD) e ao ministro Paulo Guedes (Economia) —o que inflou reclamações entre os bolsonaristas.

Na semana passada, Tarcísio deu a entender que nomes do bolsonarismo raiz, como Mario Frias (PL) e Ricardo Salles (PL), não estarão em seu governo.

"Existem parlamentares que pelo perfil vão ser muito importantes no Congresso. Eu sempre falei em ter uma gestão absolutamente técnica. Vocês vão ver pelos nomes que eu vou começar a anunciar que a gente não vai se distanciar daquilo que nós nos comprometemos ao longo do tempo", disse.

Tarcísio tem afirmado que os nomes que anunciará para a equipe de transição, divididos por temas, não necessariamente irão compor seu secretariado.

"Vai ser mais de um integrante por eixo temático. Não significa necessariamente que aqueles integrantes vão compor o quadro de secretários. Mas é a turma que vai fazer esse trabalho de transição, vai perceber a realidade de cada secretaria", disse na quinta-feira (17).

O governador eleito tem uma série de partidos e aliados a contemplar, além do bolsonarismo e do PSD de Kassab —como sua sigla, o Republicanos, PP, PL, PSDB, MDB, União Brasil e Podemos. Os partidos que estiveram com Tarcísio no segundo turno e que compõem o governo Rodrigo Garcia (PSDB) querem manter seus feudos.

Tarcísio e Rodrigo deram início à transição com uma reunião na última quinta, depois que o governador eleito retornou de férias nos Estados Unidos.

Participaram os coordenadores da transição, Afif, que representa Tarcísio, e o secretário Marcos Penido, pela parte de Rodrigo, além de outros secretários e assessores de ambos.

Na quinta, Tarcísio afirmou que a primeira atitude da transição será ajustar o Orçamento, mas que haverá mudança sem ruptura.

"Vai haver mudança, mas não ruptura. Foi feito um exercício por parte da transição adaptar nosso plano de governo ao Orçamento atual. Então uma das primeiras tarefas da transição vai ser o ajuste do Orçamento", disse.

O processo de transição para grupos políticos distintos é raro em São Paulo, estado que teve uma sequência de governos do MDB e, depois, desde 1995, do PSDB. Como Rodrigo apoiou Tarcísio no segundo turno, a passagem de bastão deve ser amigável.