Tarcísio volta atrás de nomeação de cunhado para cargo no governo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou atrás da nomeação de seu cunhado, Mauricio Pozzobon Martins, para o cargo de "Assessor Especial do Governador II".

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No Diário Oficial desta quinta-feira, o governador tornou "sem efeito" a nomeação de Pozzobon, que foi publicada no D.O de ontem.

Casado com Fernanda, irmã de Cristina Ferreira da Silva Freitas, esposa do governador, Pozzobon iria ocupar o cargo que pertencia a Wilson Pedroso, homem de confiança do ex-governador Rodrigo Garcia (PSDB) e responsável pela articulação política do governo, entre outras tarefas.

Pozzobon era dono do imóvel que o governador usou como domicílio eleitoral em São José dos Campos. Ele recebeu R$ 60 mil da campanha por "serviços de administração financeira", segundo dados que constam no sistema de prestação de contas, o DivulgaCand. O cunhado de Tarcísio também é militar e foi para reserva em 2019, quando foi funcionário da Infraero até 2021. O órgão era ligado ao Ministério da Infraestrutura, que era comandado por Tarcísio no governo Bolsonaro.

Segundo a advogada constitucionalista Vera Chemin, não há vedação na lei para nomeação do concunhado, já que é um cargo de natureza política de confiança de Tarcísio.

O GLOBO questionou o governo sobre o motivo do recuo, mas não teve resposta até a publicação da reportagem.

Outras nomeações

Na quarta-feira, além de Pozzobon, Tarcísio nomeou irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para ocupar o cargo de "Assessor Especial do Governador I" no Bandeirantes. Como mostrou reportagem do GLOBO, Diego Torres Dourado, cunhado de Bolsonaro, ganhou voz na campanha de Tarcísio e trabalhou para aproximar a militância bolsonarista.

Outro nome confirmado foi o do policial federal Danilo César Campetti, que fazia parte da equipe que estava acompanhando Tarcísio em uma agenda em Paraisópolis quando houve tiroteio. Ele vai ocupar a função de Assessor Técnico de Gabinete na gestão de Tarcísio.

Durante a campanha eleitoral, Tarcísio enfatizou que faria uma gestão de mudança após quase 30 anos do PSDB no Palácio dos Bandeirantes e que não priorizaria indicações política, mas escolhas técnicas para qualificar a administração pública.