Tarcísio recua e anula nomeação do próprio cunhado para cargo especial em SP

Governador manteve cunhado de Jair Bolsonaro

Escolha de Tarcísio tinha boas chances de ser vista como nepotismo na Justiça (REUTERS/Adriano Machado)
Escolha de Tarcísio tinha boas chances de ser vista como nepotismo na Justiça

(REUTERS/Adriano Machado)

  • Tarcísio de Freitas recua na decisão de nomear próprio cunhado para cargo de assessor especial;

  • Em decreto publicado hoje no Diário Oficial do Estado, indicação fica sem efeito;

  • Ele não voltou atrás na nomeação do cunhado de Jair Bolsonaro, de quem é aliado.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou atrás na decisão de nomear seu cunhado, Maurício Pozzobon Martins, para o cargo de “assessor especial do governador II”.

Em decreto publicado nesta quinta-feira (12) no Diário Oficial do Estado, fica sem efeito a nomeação de Martins. Ele iria ganhar um salário de R$ 21 mil.

Segundo especialistas ouvidos pela coluna de Leonardo Sakamoto, do UOL, a maioria das decisões judiciais a respeito desse tipo de situação considera nepotismo a nomeação de um cunhado para um cargo de assessoramento direto.

Conforme mostrado pela Folha de S. Paulo, Martins já havia sido contratado pela campanha eleitoral do governador. Também foi esse mesmo cunhado que alugou a Tarcísio um imóvel em São José dos Campos, no interior de São Paulo, por valor inferior ao do mercado.

Cunhado de Bolsonaro foi nomeado

Outra nomeação feita por Tarcísio envolve o irmão da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro. Diego Torres Dourado vai atuar no cargo de “assessor especial do governador I”, com salário previsto de R$ 19.204, 22 ao mês.

Apesar de ter recuado com relação a Martins, Tarcísio não voltou atrás na nomeação do cunhado de Jair Bolsonaro (PL), de quem é aliado.

Dourado é irmão de Michelle por parte de pai e, até outubro do ano passado, trabalhou como assistente parlamentar da primeira-secretaria do Senado, à época comandada pelo senador Irajá (PSD-TO) - outro aliado da família Bolsonaro. Na posição, recebia salário de R$ 13,5 mil.

Antes de ir para o Senado, ele recebia R$ 5.600 no Ministério da Defesa, também em cargo de confiança.