Tarcísio recua e não vai mais nomear irmão de Bolsonaro para cargo no governo

Contratação de Renato Bolsonaro chegou a ser discutida no Palácio dos Bandeirantes

Tarcísio mudou de ideia sobre nomear irmão de Bolsonaro, Renato Bolsonaro (REUTERS/Adriano Machado)
Tarcísio mudou de ideia sobre nomear irmão de Bolsonaro, Renato Bolsonaro

(REUTERS/Adriano Machado)

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, recuou e não vai mais nomear o irmão de Jair Bolsonaro (PL), Renato Bolsonaro, para um cargo na administração estadual.

O parente do ex-presidente atuou como um dos coordenadores da campanha eleitoral de Tarcísio no ano passado, mas sua contratação chegou a ser discutida no Palácio dos Bandeirantes.

Com a decisão, Renato seguirá trabalhando como chefe do gabinete do prefeito de Miracatu (SP), cidade de 19 mil habitantes. A função faz com ele mantenha contato com integrantes do governo para tratar sobre assuntos do município. Nesta semana, esteve no Palácio dos Bandeirantes para tentar uma reunião com o secretário do governo, Gilberto Kassab, mas não conseguiu encontrá-lo.

Nomeação de cunhados. Esta não é a primeira vez que Tarcísio escolhe um familiar de Bolsonaro para um cargo no governo paulista. Na época do anúncio, ele também optou por um parente seu. Ambos ocupariam cargos de assessores especiais:

  • Diego Torres Dourado, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro;

  • Mauricio Pozzobon Martins, seu cunhado.

O governador, no entanto, voltou atrás na nomeação de seu cunhado. Ele afirmou que não sabia que contratar o parente configurava nepotismo.

"Quando nomeei, eu achei que pudesse. Quando você pega a definição de parentesco do Código Civil, concunhado não aparece, mas uma decisão do [ministro Luiz Edson] Fachin [do Supremo Tribunal Federal] de 2019 inclui o concunhado, em adição ao que está na súmula 3 do Supremo Tribunal Federal. É coisa que acontece", afirmou em 12 de janeiro.

Segundo o STF, fere a Constituição nomear para qualquer cargo o “cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante”.

A nomeação do cunhado de Bolsonaro foi mantida. “Escolha minha”, justificou.

Salários.

  • Dourado vai receber R$ 19.204,22 por mês;

  • Martins receberia, se fosse nomeado, R$ 21.017,85.