Tatuzão começa a ser montado para obra da linha 6-laranja do metrô de SP, atrasada há 8 anos

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*SÃO PAULO, SP, 17.08.2021 - METRÔ-SP: O governador João Doria, o Secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy e o prefeito Ricardo Nunes, participam nesta terça-feira, da descida da roda de corte no Canteiro de Obras da VSE Tietê da Linha 6-Laranja. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*SÃO PAULO, SP, 17.08.2021 - METRÔ-SP: O governador João Doria, o Secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy e o prefeito Ricardo Nunes, participam nesta terça-feira, da descida da roda de corte no Canteiro de Obras da VSE Tietê da Linha 6-Laranja. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pouco mais de dez meses após a retomada das obras de construção da linha 6-laranja do metrô, que vai ligar a zona norte da capital paulista ao centro, o equipamento que irá perfurar a terra para a construção das estações subterrâneas, chamado de "roda de corte", foi içado e descido abaixo do nível do solo na manhã desta terça-feira (17), para compor uma tuneladora, popularmente conhecida como"tatuzão" -máquina usada para fazer os túneis das linhas.

As obras da linha 6-laranja, inicialmente prometida para 2013, começaram em 2015, com previsão de entrega em 2020. Porém, a construção foi parada em 2016, sendo retomada em outubro do ano passado.

A nova previsão para a entrega das 15 estações de metrô, obra realizada em uma PPP (Parceria Público Privada) entre o governo estadual e a empresa espanhola Acciona, é 2025. Ela está orçada em R$ 15 bilhões, sendo metade custeada por cada parte. Das 15 frentes de trabalho montadas para realizar as obras, segundo o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, falta a liberação de somente uma.

Quando entrar em operação, segundo o governo estadual, a linha atenderá 630 mil pessoas por dia, além de realizar em 23 minutos um trajeto que, de ônibus, dura cerca de uma hora e meia.

Enquanto a roda de corte, de cerca de 130 toneladas, era içada para ser colocada abaixo do nível do solo, o diretor de País-Brasil da Acciona, André De Angelo, responsável pela obra, explicou que este equipamento será a principal peça de um dos tatuzões, cada qual com cerca de 100 metros de extensão.

"Roda de corte, como o próprio nome diz, vai na frente [do tatuzão] cortando o solo. Ela é a principal peça, responsável por ir escavando [os túneis]", afirmou, em coletiva de imprensa, na região da Freguesia do Ó (zona norte), onde se concentra uma das 15 frentes de trabalho da obra.

A previsão é a de que o primeiro tatuzão fique pronto para escavar até 31 de dezembro, segundo o governo estadual e a Acciona.

Assim que estiver pronto, o equipamento irá escavar um trecho de dez quilômetros, possibilitando o acesso ao mesmo número de estações. A previsão para a conclusão desta fase da obra é de 17 meses, de acordo com os responsáveis.

Depois disso, outro tatuzão escavará no sentido norte da linha, de 5,3 quilômetros. Esta etapa, apesar de contar com um trecho mais curto e cinco estações, demorará 30 meses, segundo os construtores, pelo fato de o solo perfurado ser rochoso -diferentemente do sentido sul, que é mais maleável.

A tuneladora que abrirá túneis em direção à zona norte da cidade, com solo rochoso, fará entre 8 e 9 metros de escavações diárias, segundo a empresa espanhola. Já o equipamento que perfurará no sentido oposto, com terreno mais maleável, fará entre 13 e 14 metros por dia.

Após concluída, a linha contará com 15,3 quilômetros de extensão, ligando a Brasilândia (zona norte) à estação São Joaquim (centro) e fazendo ligação com outras duas linhas do metrô e também duas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Quando as escavações começarem efetivamente, em 2022, os atuais 3.100 funcionários aumentarão para 9.000, ressaltou o secretário de Transportes Metropolitanos, acrescentando que serão usados diariamente 3.000 caminhões para transportar a terra escavada pelo tatuzão.

O governador João Doria (PSDB) ressaltou, ainda na manhã desta terça, que as obras das novas linhas do metrô seguem protocolos para reduzir a emissão de poluentes na atmosfera, seguindo um plano de longo prazo para que o estado tenha "emissão zero" de carbono, até 2050.

"Assinamos, na semana passada, nosso compromisso com 'carbon zero'. São Paulo terá emissão zero de carbono, o estado de São Paulo [até 2050]. Vamos ratificar [nosso compromisso de emissão zero de carbono] na COP (Cúpola do Clima) em Glasgrow, capital Escócia [em novembro]", afirmou Doria, referindo-se à Race to Zero, campanha da ONU (Organização das Nações Unidas) para reduzir emissões poluentes e mitigar efeitos das mudanças climáticas.

Segundo relatório da entidade, divulgado no último dia 9, há "mudanças irreversíveis" no planeta, por conta da ação humana, como o derretimento de geleiras, além da perda de biodiversidade.

As mudanças climáticas também criarão eventos extremos, como aumento de queimadas em vegetação, estiagem e também excesso de chuva.

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O QUE É O TATUZÃO

- Tuneladora é uma enorme máquina que escava túneis circulares

- A escavação é efetuada pela rotação da sua cabeça, que é dotada de ferramentas de corte e aberturas

- No fim de cada ciclo de escavação, é montado um revestimento com aduelas pré-fabricadas

LINHA 6-LARANJA DO METRÔ

Previsão de entrega em 2025

ESTAÇÕES

- Brasilândia

- Vila Cardoso

- Itaberaba

- João Paulo 1º

- Freguesia do Ó

- Santa Marina

- Água Branca

- Pompeia

- Perdizes

- Cardoso de Almeida

- Angélica-Pacaembu

- Higienópolis-Mackenzie

- 14 Bis

- Bela Vista

- São Joaquim

INTERLIGAÇÃO

- Linha 1-azul

- Linha 4-amarela

- Linhas 7-rubi e 8-diamante da CPTM

ATRASO

- Obras tiveram início em 2015

- Previsão de entrega era para 2020

- Construção da linha está paralisada desde 2016

INVESTIMENTO E DIMENSÃO DA OBRA

- R$ 15 bilhões

- 15 estações

- 15,3 km de extensão

- Expectativa de atender mais de 630 mil passageiros diariamente

- Trecho será percorrido em 23 minutos

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