Taxa de desemprego nos Estados Unidos cai a 3,5%, menor patamar em 50 anos

As empresas americanas fizeram mais que o dobro do estimado em contratações em julho, refletindo a forte demanda por mão de obra no mercado de trabalho e atenuando preocupações com a recessão. O cenário sugere que o Federal Reserve (FED, o banco central americano) continuará a promover altas acentuadas das taxas de juros para conter a inflação.

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Excluindo o setor agrícola, as folhas de pagamento cresceram em 528 mil postos de trabalho em julho, um salto que superou todas as estimativas e foi o maior em cinco meses, de acordo com dados apresentados pelo Departamento do Trabalho nesta sexta-feira. Em junho, o ganho em empregos foi revisado para 398 mil.

Com isso, a taxa de desemprego caiu para 3,5%, alcançando a maior baixa em cinco décadas. O crescimento da massa salarial acelerou e a taxa de participação na força de trabalho diminuiu.

Levantamento feito pela Bloomberg junto a economistas apontavam para um ganho médio de 250 mil contratações, colocando a taxa de desemprego em 3,6%.

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Os números sugerem um apetite voraz das empresas por trabalhadores, em particular no setor de serviços que vem sofrendo com recuo na mão de obra. A geração de novas vagas foi ampla, com destaque para contratações em para os segmentos de hospedagem e food services, em que as companhias estão lutando para aumentar os níveis de pessoal num cenário de demanda reprimida. As folhas de pagamento também aumentaram em educação e saúde, bem como em serviços empresariais.

Os números do mercado de trabalho também ajudaram a atenuar preocupações sobre contratação alimentadas por boatos de que viriam cortes no setor de tecnologia e em alguns varejistas, incluindo o Walmart.

Vaga ocupadas por mulheres

Chamou atenção ainda um forte no número de vagas ocupadas por mulheres. O número total da força feminina empregada subiu em 327 mil em julho, respondendo por mais da metade dos novos 528 mil postos gerados. Os avanços foram particularmente relevantes para latinas — com mais de 12 milhões empregadas, um recorde —, além de mulheres brancas.

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Em alguns parâmetros, a recuperação do emprego para a força de trabalho feminina está ocorrendo mais rápido do que a dos homens, após um baque sofrido no início da pandemia. Cerca de 55% das mulheres estão empregadas, em comparação com 55,9% antes da chegada da Covid-19, no início de 2020.

A taxa de emprego entre os homens subiu 1,6 ponto percentual na comparação com o mesmo período, para 65,2%, embora em julho o número total de homens empregados tenha ficado acima do nível pré-pandemia pela primeira fez.

Em abril de 2020, quase 12 milhões de mulheres foram demitidas. Muitos dos empregos afetados pela crise do novo coronavírus — o que demandavam atividade presencial ou contato com clientes em pessoa — eram desproporcionalmente ocupados por mulheres. Outros desafios, como o cuidado com as crianças em casa, trouxeram maior dificuldade ao retorno da força feminina ao trabalho.

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Houve um recuo agudo em emprego para homens latinos, com a perda de 300 mil vagas. E a taxa de desemprego dos negros subiu para 6%, quase o dobro da registrada pelos americanos brancos.

Notícia bem-vinda para Biden

O forte avanço em vagas e salários é notícia bem-vinda para o presidente Joe Biden, ao mesmo tempo em que deve reforçar a estratégia do Fed de manter a trajetória de aumento da taxa de juros.

A remuneração por hora de trabalho surpreendeu positivamente, subindo 0,5% em julho após um ganho revisado de 0,4% no mês anterior. Na comparação com um ano antes, os ganhos cresceram 5,2% pelo segundo mês seguido. O ritmo elevado de aumento nos salários sugere que a pressão inflacionária vai persistir, uma preocupação do Fed.

— Certamente, um ajuste de 0,75 ponto percentual estará sobre a mesa na próxima reunião (do Fed) — avalia Randall Kroszner, professor de Economia da Universidade de Chicago e ex-presidente do banco central americano. — A questão não é apenas a força do mercado de trabalho, mas também o aumento significativo de salários acima das estimativas.

Os patamares de emprego e desemprego voltaram aos de fevereiro de 2020, portanto para níveis pré-pandemia.

A taxa de participação da força de trabalho, que indica a fatia da população que está trabalhando ou procurando emprego, recuou para 62,1%, o nível mais baixo deste ano, puxado por uma queda acentuada registrada entre os adolescentes. A taxa para a faixa de trabalhadores com 25 a 54 anos de idade, contudo, subiu.

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