Biden defende pacote de estímulo econômico nos EUA após baixa criação de empregos em janeiro

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Trabalhadores da construção civil em Miami, Flórida, em 3 de setembro de 2020

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, acelerou seus esforços nesta sexta-feira (5) para que o Congresso aprove um plano de estímulo econômico, após estatísticas mensais mostrarem queda no desemprego, mas com baixa geração de empregos.

No primeiro mês do ano, a taxa de desemprego caiu 0,4 ponto percentual, para 6,3%, mas a economia criou 49 mil empregos, um pouco abaixo do esperado por analistas.

"O mercado de trabalho continua refletindo o impacto da pandemia da covid-19 e os esforços para contê-la", informou o governo nesta sexta-feira em seu relatório mensal.

O presidente democrata destacou que o setor privado criou apenas 6.000 empregos. "Nesse ritmo, vamos levar dez anos para chegar ao pleno emprego", ressaltou.

"Isso não é uma hipérbole, é um fato", acrescentou na Casa Branca o presidente dos Estados Unidos, antes de se reunir com os líderes democratas da Câmara de Representantes.

Os dados foram publicados depois que o Senado aprovou uma resolução orçamentária que abre o caminho para o plano integral de alívio à economia almejado pelo governo com uma maioria simples, evitando um bloqueio dos republicanos.

Biden deve discursar sobre a situação da economia nesta sexta-feira para pressionar pela aprovação do plano de 1,9 bilhões de dólares, com qual espera estimular a atividade, enquanto o país tenta controlar a pandemia.

O coronavírus provocou 455.875 mortes nos Estados Unidos, o maior balanço de vítimas fatais no mundo, atingindo em cheio um dinâmico mercado trabalhista que antes da pandemia registrava uma taxa de desemprego de 3,5%.

A consultoria HFE destacou que os inscritos no seguro-desemprego podem ter caído ainda mais, pois várias restrições impostas pela pandemia foram suspensas.

"O mercado de trabalho continua longe de uma recuperação", afirmou a HFE.

Os analistas esperavam uma taxa de desemprego estável em 6,7%, mas projetavam um resultado de criação de empregos por volta de 50.000 novos postos de trabalho.

- Distantes de uma recuperação -

A consultoria Oxford Economics alertou que embora os números pareçam bons, "a manchete mascara um impulso significativo de fatores sazonais, uma revisão para baixo significativa de 159 mil nos números de criação de empregos em novembro e dezembro e uma queda na taxa de participação no mercado de trabalho".

Atualmente, um terço dos desempregados está sem atividade há mais de seis meses e há seis milhões de pessoas que trabalham a tempo parcial, embora desejem ter mais horas.

O número de pessoas consideradas desempregadas é de 10,1 milhões, quase o dobro do que antes da crise de saúde.

Este número também não inclui os trabalhadores independentes que perderam seus empregos durante a crise, já que há um total de 17 milhões de pessoas que recebem subsídios, segundo estatísticas publicadas nesta sexta-feira.

Enquanto isso, os números revelam as desigualdades no país, uma vez que a taxa de desemprego é menor para trabalhadores brancos e atinge 5,7%, mas é maior entre hispânicos (8,6%) e cidadãos negros (9,2%).

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