Desemprego cai para 8,3% em outubro, menor patamar para o período desde 2014

O mercado de trabalho brasileiro segue em recuperação. A taxa de desemprego voltou a cair: passou de 9,1% no trimestre encerrado em julho para 8,3% no trimestre terminado em outubro. Esta é a menor taxa para o período desde 2014. Já a renda real registrou a segunda alta seguida na comparação trimestral, chegando ao valor de R$ 2.754, mas ainda está 2,13% abaixo do pico registrado em 2014.

Proposta: Equipe de Lula planeja cadastro e regulação para definir direitos de trabalhadores de aplicativos

Mercado de trabalho: Quase 70% ganham até dois salários mínimos

Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira. A pesquisa revela ainda que a massa de rendimento, que soma as remunerações de todos os trabalhos, chegou ao recorde da série histórica, iniciada em 2012: R$ 269,5 bilhões, um crescimento de 4% no trimestre e 11,5% na comparação anual.

O contingente de pessoas ocupadas, por sua vez, também é o maior da série: há 99,7 milhões de trabalhadores no país. Segundo Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa, o aumento da ocupação é um movimento que já vem em curso desde o segundo semestre de 2021:

— Com a aproximação dos últimos meses do ano, período em que historicamente há aumento de geração de emprego, a tendência se mantém.

Apesar da melhora no nível de emprego no país, há 9 milhões de brasileiros em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho. Este contingente, contudo, é o menor desde julho de 2015.

Emprego sem carteira no setor privado bate recorde

Os dados apontam que segue em curso o aumento no número de trabalhadores com e sem carteira de trabalho assinada no pós-pandemia. O contingente de empregados com carteira assinada cresceu 2,3% no período, totalizando 36,6 milhões de trabalhadores nessa condição - ainda abaixo do contingente de 37,6 milhões registrado no trimestre encerrado em julho de 2014.

— Esse índice segue em alta há mais de um ano, o que mostra não apenas que o mercado de trabalho está em expansão numérica de ocupados, mas também apresentando algum crescimento na formalização da população ocupada — analisa Beringuy.

Já o número de empregados sem carteira assinada no setor privado teve um incremento de 297 mil pessoas em relação ao trimestre anterior e chegou a 13,4 milhões de pessoas, recorde da série histórica.

O número de empregados no setor público foi outro a bater o recorde da série histórica: chegou a 12,3 milhões, com alta de 2,3% no trimestre e 10,4% na comparação anual. Já o número de trabalhadores informais chegou a 39 milhões.

Perspectivas

Economistas avaliam que o ritmo de geração de postos de trabalho deve desacelerar no quarto trimestre em relação aos trimestres anteriores. Isso porque o cenário macroeconômico impõe desafios. Além do fim de estímulos fiscais governamentais, há o efeito dos juros mais elevados sobre o consumo das famílias.

Outro fator também reduz o ímpeto para consumo, ajudando a desacelerar a atividade. Brasileiros já gastam quase um terço da renda familiar para pagar dívidas, maior percentual da série histórica do BC. E após queda de vendas na Black Friday, analistas esperam um Natal mais fraco no varejo este ano.

Desaceleração da economia: Com juros altos e fim do 'dinheiro extra', economistas já veem retração no fim do ano

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, que investiga a geração líquida de empregos formais no país, apontam que foram criados 159.454 vagas formais em outubro, 42,5% menor que a registrada em setembro. O salário médio real de admissão também voltou a cair sobre o mês anterior.

O Caged divulga dados mensais apenas de trabalho com carteira e fornecidos pelas empresas ao Ministério do Trabalho. A Pnad compreende informações sobre o mercado de trabalho formal e informal, coletadas pelos pesquisadores do IBGE nas principais regiões metropolitanas do país. Os dados são trimestrais.