Taxa de inadimplência no cartão de crédito sobe, aponta Abecs

O volume de faturas de cartão de crédito em atraso cresceu no país. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a taxa de inadimplência chegou a 7,3% em setembro deste ano, num crescimento desde abril de 2021, quando atingiu 3,8%.

Os dados foram divulgados pela entidade num balanço do setor nesta quinta-feira (dia 10). O índice ficou acima da taxa de inadimplência geral de pessoa física, que ficou em 5,7% em setembro.

Na avaliação do setor, um dos principais motivos para a alta no período é a inflação, que corrói o poder de compra dos trabalhadores. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro, divulgado também neste dia 10 pelo IBGE, voltou a subir após três meses de deflação: o aumento foi de 0,59% no mês, e 6,47% no acumulado de 12 meses.

Ao "Valor Investe", o presidente da Abecs, Rogério Panca, afirmou que emissores de cartões têm melhorado o processo de concessão de crédito para oferecer aos clientes "produtos mais assertivos e de acordo com a capacidade de pagamento dele".

"Os emissores que têm divulgado seus resultados trimestrais têm falado do deterioração das carteiras envolvendo pessoa física e operações que não têm garantia, como é o cartão de crédito. Alguns desses emissores começaram um trabalho mais detido no sentido de distinguir o consumidor já na concessão do cartão", diz.

No balanço trimestral, a entidade também apontou que o financiamento imobiliário foi a modalidade de crédito que concentrou a maior parte das dívidas em setembro (36,1%), o equivalente a R$ 905,1 bilhões. O empréstimo consignado aparece em seguida (22,6%):

Financiamento imobiliário: 36,1% (R$ 905,1 bilhões)

Consignado: 22,6% (R$ 565,5 bilhões)

Outros: 18,4% (R$ 461,5 bilhões)

Aquisição de veículos: 10,1% (R$ 252,8 bilhões)

Não consignado: 9,8% (R$ 244,9 bilhões)

Rotativo: 3% (R$ 74,5 bilhões)