Taxas de juros nos EUA: Banco Central anuncia quarto aumento do ano

Banco Central dos EUA volta a subir a taxa de juros no país (Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz)
Banco Central dos EUA volta a subir a taxa de juros no país (Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz)
  • É a quarta vez no ano a taxa de juros do país nos EUA;

  • A instituição financeira reajustou o índice para uma faixa de 2,25% a 2,5%;

  • A instituição manteve o ritmo de alta dos juros da reunião de junho.

O Banco Central dos Estados Unidos (FED, na sigla em inglês) aumentou pela quarta vez no ano a taxa de juros do país. Conforme anunciado nesta quarta-feira , a instituição financeira reajustou o índice para uma faixa de 2,25% a 2,5%, resultando em uma alta de 0,75 pontos percentuais.

Com a medida, o FED manteve o ritmo de alta dos juros da reunião de junho, quando foi registrado o maior aumento desde 1994. o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) indicou que deve continuar elevando a taxa em comunicado emitido após a reunião desta quarta.

"A inflação permanece elevada, refletindo desequilíbrios entre oferta e demanda relacionados à pandemia, preços mais altos de alimentos e energia, e pressões mais amplas sobre os preços", disse o Fomc.

Com preços ao consumidor saltando 9,1% no país nos últimos 12 meses, o avanço dos juros nos Estados Unidos ocorre num cenário de inflação bastante elevada. Os elevados valores da gasolina e dos alimentos podem pressionar ainda mais a inflação norte-americana, que registrou o maior avanço desde novembro de 1981

Por que a decisão do Fed afeta o Brasil?

Primeiro, é preciso explicar que o Fed aumentou o juros nos EUA para tentar "esfriar" a economia e controlar a inflação. A alta dos preços por lá é a maior desde o início dos anos 80, quando o país ainda sofria com o choque do petróleo. Muitos especialistas apontam que o Fed subestimou a inflação e demorou para começar a agir.

Em tese, juros mais altos desestimulam investimentos e o consumo, e aí a inflação deve perder força. Tudo vem ficando mais caro nos EUA - de alimentos a gasolina. Preços mais altos não favorecem governantes do momento. Vale lembrar que Joe Biden enfrenta eleições legislativas em novembro.

Além disso, o cenário econômico como um todo não é bom nos EUA. Grandes empresas como Microsoft, Netflix e Walmart frearam contratações ou apresentaram números ruins em seus balanços.

Mas e o Brasil nisso tudo? Com a subida de juros nos EUA, investidores tendem a buscar países "seguros" para colocar seu dinheiro. Na teoria, os EUA têm risco zero de dar um calote. Com os juros subindo, eles ficam mais atrativos que países como o Brasil, por exemplo, mesmo com a Selic nos dois dígitos.

Dólar mais caro?

Mesmo com o real se desvalorizando nas últimas semanas, não é esperada uma fuga em massa de dólares no Brasil (o que elevaria ainda mais a cotação da moeda norte-americana), pois o grosso dos ativos negociados na Bovespa é composto por commodities - soja, ferro etc - e elas estão em alta.

Com a guerra na Ucrânia sem uma previsão para acabar, a tendência é que continuem subindo. Mesmo com repiques de casos de covid na China, o que poderia emperrar um pouco a expectativa de crescimento global, as commodities devem seguir brilhando.

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