Taxista, gari e bombeiro falam da emoção de, por acaso, virarem parteiros por um dia

·3 min de leitura

Um telefonema inesperado de um amigo, às 22h50 do dia 26 de julho, levou o taxista Marcelo Fraga, de 52 anos, a assumir o papel até então inimaginável de parteiro. Motorista há 33 anos, Fraga atendeu ao telefone e recebeu a missão de ajudar a estudante Estefanie do Nascimento, de 17 anos, a chegar à Maternidade Escola da UFRJ, em Laranjeiras, para o parto da pequena Nicoly, hoje com quatro meses. Mas não deu tempo, e a bebê nasceu dentro do carro, com a ajuda do pai, o auxiliar de logística Alan Dias, de 28 anos, e do próprio Fraga.

Em 2021, o taxista não foi o único que passou pela emoção de ser parteiro por um dia. No obscuro cenário de despedidas provocadas pela pandemia da Covid-19, garis da Comlurb e militares do Corpo de Bombeiros também tiveram o privilégio de ver uma vida nascer em seus braços.

O banco de trás do táxi de Fraga, que faz cerca de 20 corridas por dia, já foi lugar de histórias tristes, como quando duas pessoas foram a óbito, há cerca de 20 anos, por problemas de saúde. Para ele, o nascimento de Nicoly coroa um novo ciclo:

— A vinda da Nicoly muda a história desse carro. Sou muito grato por essa oportunidade.

Hoje padrinho da menina, o taxista conta que, na noite do parto, a distância de dez minutos entre o local onde a família da bebê mora, em Santa Teresa, e o hospital, em Laranjeiras, parecia uma eternidade.

— Foi uma doideira, uma emoção, uma agonia. Tudo junto. Lembro do desespero de pedir para a Estefanie segurar a Nicoly para dar tempo de chegar ao hospital e fazer o parto, e o Alan agoniado, sem saber o que fazer. A mãe só sabia gritar — lembra Fraga.

Após o susto e sufoco, Fraga publicou o momento em seu Facebook, e a foto e vídeo do pós-parto viralizaram. No início deste mês, ele ganhou um reconhecimento da Câmara Municipal.

— A gente fica feliz ao ver a felicidade dele em contar a história, em se sentir parte da família. Ele chora quando lembra. O carinho faz toda a diferença — diz Estefanie.

Era uma noite fria de trabalho ao lado do amigo e colega de trabalho Marcelo Azevedo, quando, às 03h40min, o gari Márcio Pereira, de 47 anos, ouviu um grito de socorro de uma mulher, de 23 anos, que estava dando à luz a um bebê na areia da Praia de Copacabana, na altura do Posto 4. Com a mãe, estava o pai da criança e um outro filho. Tudo aconteceu em fração de segundos:

— Corri assim que ouvi o grito da menina pedindo socorro. No minuto seguinte, eu já estava vendo a cabeça da criança, e depois ela já estava para fora. No primeiro momento, a sensação é de desespero. Só lembrei de ligar para o Corpo de Bombeiros e pedir ajuda — recorda-se o gari, há 13 anos na Comlurb, orgulhoso de ter ajudado no parto. — Quem sabe, futuramente, ao ver um gari, essa criança tenha carinho pelo profissional. A gente passa tanta coisa na rua. Depois desse caso, recebi parabéns e fui reconhecido.

O enfermeiro e 1º tenente do Corpo de Bombeiros Maisner Faria foi um dos mais de cem agentes que participaram das 125 assistências da corporação ao trabalho de parto no estado em 2021. Ele auxiliou no nascimento do pequeno Manoel, no dia 5 de novembro. A mãe, que estava a caminho da maternidade, entrou em trabalho de parto no meio da Ponte Rio-Niterói, depois que um acidente deixou a pista fechada por horas. A mãe só conseguiu chegar ao estacionamento do quartel de Niterói (3º GBM).

— Foi uma adrenalina. Logo de cara, avaliamos que não ia dar para chegar a um hospital, então pegamos o kit parto e nos adaptamos — lembra o tenente, que teve o apoio de outros três agentes. — O melhor momento na carreira é quando a gente consegue fazer um parto, porque trabalhamos muito com a morte. Ver a felicidade da mãe ao olhar para o bebê pela primeira vez é muito bom.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos