TCU desmente Pazuello e diz que TrateCov foi criado para prescrever cloroquina

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  • TCU concluiu que o aplicativo TrateCov não foi adulterado por hacker e foi criado para prescrever cloroquina

  • Análise desmente depoimento de Eduardo Pazuello na CPI da Covid

  • Ex-ministro da Saúde disse que hacker postou plataforma no ar

Análise feita por auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que o aplicativo TrateCov, usado em Manaus para auxiliar na identificação de casos de coronavírus, não foi adulterado por hacker, como alegou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello à CPI da Covid.

Segundo reportagem do portal UOL, o TrateCov foi planejado para funcionar de modo a identificar associação de quaisquer dois sintomas como "provável diagnóstico de Covid-19". A seguir, o dispositivo prescreve automaticamente o chamado "tratamento precoce", comprovadamente ineficaz para a doença.

O aplicativo foi apresentado pelo Ministério durante uma visita a Manaus, quando a capital amazonense passava pelo colapso no sistema de Saúde. Pazuello tinha afirmado à CPI da Covid, em maio, qie a apresentação foi feita sem que a plataforma TrateCOV estivesse pronta.

"Apresentou-se no momento em que o desenvolvimento [da plataforma TrateCov] não estava completo. Precisava colocar todos os CRMs lá dentro, precisaria puxar para dentro o bojo de todas as pessoas que poderia contatar. Naquele dia que foi apresentado e foi feito o roubo dessa plataforma, foi feito um B.O. (Boletim de Ocorrência", afirmou.

“Foi hackeado por um cidadão, existe um boletim de ocorrência, uma investigação, que chega nessa pessoa. Ele foi descoberto, ele pegou esse diagnóstico, alterou com dados lá dentro e colocou na rede pública. Quem colocou foi ele", alegou o ex-ministro. Para o TCU, no entanto, não houve adulteração e que "a indicação pelo usuário do TrateCov de quaisquer dois sintomas é suficiente para a aplicação web exibir o diagnóstico" de Covid-19.

De acordo com o portal UOL, os auditores relatam que a informação de que alguém sente, por exemplo, "dor de cabeça" e "náuseas", ou "lombalgia" e "dor em coluna toráxica", ou ainda "dor de garganta" e "dor em membros inferiores", era suficiente para ocorrer a sugestão de prescrição de medicamentos do "denominado tratamento precoce".

Nesses casos, o TrateCov apresentava sempre sete medicamentos - Disfosfato de Cloroquina, Hidroxicloroquina, Ivermectina, Azitromicina, Doxiciclina, Sulfato de Zinco e Desametazona - e a posologia (dose e frequência de uso) sugerida é sempre a mesma para quatro das medicações - Disfosfato de Cloroquina, Hidroxicloroquina, Azitromicina e Doxiciclina.

"Enquanto a saúde de Manaus estava colapsando, com muitos pacientes precisando de oxigênio, por causa da segunda onda da covid-19, a senhora Mayra Pinheiro (secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde) e o senhor Pazuello lançavam o TrateCov e transformaram o povo da capital do Amazonas em objeto de experimento", acusa o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid. "Isso é crime de lesa-humanidade, que deve ser levado a julgamento no Tribunal de Haia".

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