Teatro em casa: confira trechos de peças canceladas no Rio

Gustavo Cunha
Cena da peça 'A cor púrpura — O musical'

É possível ir ao teatro sem sair de casa. Desde a última sexta-feira, quando o governo determinou que todas as salas da cidade fossem fechadas para conter o avanço do coronavírus, artistas se mobilizam para criar maneiras de se manter ativos virtualmente. Ao GLOBO, a produção de espetáculos que estavam em cartaz até a última semana — ou que estreariam nestes dias — cederam trechos em vídeo, disponíveis abaixo.

'Leopoldina, independência e morte'

"Sem um sonho de um projeto de nação, quem garante que a unidade territorial do Brasil seja um bem possível?", questiona a imperatriz Maria Leopoldina. Ao que José Bonifácio responde: "Pois, na minha opinião, o que o Brasil precisa é ser governado por uma imperatriz sábia e magnânima". O diálogo está reproduzido na peça com dramaturgia e direção de Marcos Damigo, com questões referentes à consolidação da identidade nacional, em leitura feminista sobre a históra do país. Leia mais aqui.

'A esperança na caixa de chicletes Ping Pong'

Nome por trás de um dos maiores sucessos teatrais do país (o solo "A alma imoral"), a atriz Clarice Niskier encenava o novo espetáculo "A esperança na caixa de chicletes Ping Pong" quando o governo do Rio determinou que todos os teatros da cidade fossem fechados, numa medida de contenção ao coronavírus. O monólogo se inspira na obra do cantor e compositor Zeca Baleiro para desfiar pensamentos sobre a vida, o Brasil, o amor e o sucesso. Leia mais aqui.

'Renato Russo — O musical'

E lá se vão 14 anos desde que "Renato Russo — O musical" fez a primeira apresentação no Rio. Desde então, o trabalho é constante para Bruce Gomlevsky, que encarna o cantor, célebre fundador da banda Legião Urbana, em temporadas frequentes dirigidas por Mauro Mendonça Filho. No dia 27 de março, o espetáculo voltaria aos palcos, no Teatro Popular Oscar Niemeyer, em Niterói.

'A hora e vez'

Adaptação do conto "A hora e vez de Augusto Matraga", do escritor João Guimarães Rosa, a montagem com dramaturgia e atuação de Rui Ricardo Diaz está inteiramente disponível na web.

— É um texto difícil de falar! Tanto que, diariamente, ainda descubro novas palavras. Mas, quando levadas para a cena, muitas imagens que o escritor propõe sobre o sertão ficam mais nítidas — ressalta o ator, que teve sua performance elogiada pelo crítico do GLOBO.

'O meu sangue ferve por você'

Nunca antes, em dez anos, uma apresentação do musical “O meu sangue ferve por você” havia sido cancelada. Embalada pelo cancioneiro brega das décadas de 1970 a 1990 — interpretado por banda ao vivo —, a montagem dirigida por Diego Morais (e encenada pelos atores Ana Baird, Cristiana Pompeo, Pedro Henrique Lopes e Victor Maia) é um case em palcos cariocas. Estreou em 2010 no Galeria Café, em Ipanema, de onde saltou para casas maiores, sempre com lotações esgotadas.

'A cor púrpura — O musical'

Vencedor do Prêmio Cesgranrio de Teatro nas categorias de melhor iluminação (Rogério Wiltgen), atriz em musical (Letícia Borges) e direção musical (Tony Lucchesi), o espetáculo é a primeira adaptação brasileira para a produção da Broadway inspirada no famoso filme de Steven Spielberg (de 1985). Encenada por 17 atores-cantores, a produção conta com banda de oito músicos, 90 figurinos e cenário giratório construído com duas toneladas de ferro.