Teatros Firjan Sesi voltam a receber público com 'Era Medeia' e peças híbridas para o público infantojuventil

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RIO — Os teatros Firjan Sesi voltam a receber público com atrações para adultos e para o público infantojuvenil. Para os adultos, será exibida "Era Medeia", peça se passa durante os ensaios de uma adaptação da tragédia “Medeia”, de Eurípedes, trazendo uma reflexão que aborda temas como machismo, abuso de poder, exposição da vida privada e a importância do processo de criação artística. Para crianças e adolescentes a atração é o projeto "Animadinho Ciberteatro", apresentado em formato híbrido, cujas montagens têm transmissão pelo YouTube.

Supervisionada por Cesar Augusto, "Era Medeia", que terá exibições nas salas de Jacarepaguá e do Centro do Rio, mostra a exposição da relação pessoal entre um diretor excêntrico (Eduardo Hoffmann) e uma atriz insegura (Isabelle Nassar) durante um ensaio aberto da tragédia "Medeia". Os espectadores são convidados que fão assistir a essa sessão especial e se tornam testemunhas de um acerto de contas íntimo entre os personagens.

— Com o "Era Medeia" nós pretendemos discutir uma série de questões muito relevantes e presentes no contexto contemporâneo. Um dos temas que eu vejo como eixo da dramaturgia do espetáculo é a hipocrisia. Na peça, o personagem do diretor é alguém muito bem-intencionado, mas que acaba se revelando um hipócrita ao não perceber que suas atitudes contradizem o discurso que quer levantar com o trabalho que está montando. A Isabelle, que interpreta a atriz que é ex-mulher do meu personagem, está nitidamente exposta a uma situação abusiva e machista. Trazer estes temas, que infelizmente continuam atuais e parecem ter sido ampliados a partir do período da pandemia, é algo que acredito ser muito importante discutir através da arte — explica Eduardo Hoffmann, diretor, ator e autor do espetáculo.

Com a exposição da intimidade do ex-casal, o espetáculo traz reflexões a respeito dos motivos de o público de hoje parecer se interessar mais pelos bastidores da criação do que a própria criação. Não visão do diretor, o fato de estarmos vivendo uma realidade social e política extremamente espetacularizada contribui para que o caráter ficcional da arte tenha sua potência diminuída.

Já "Animadinho Ciberteatro", com exibições nos teatros do Sesi de Jacarepaguá e de Duque de Caxias, propõe uma nova forma de linguagem, buscando unir o teatro de formas animadas, o cinema e novas tecnologias. Ontem, estreou a segunda peça do projeto, “Era uma vez um adulto”, na qual há um boneco digital manipulável. A ideia é prender a atenção do público infantojuvenil diante do palco virtual recorrendo a novos ângulos e formatos audiovisuais.

— Nós já estávamos pesquisando o hibridismo de linguagens para o teatro, mas com a pandemia essa ideia veio com muito mais força. Foi uma reinvenção, e acreditamos que o analógico e o digital se potencializam muito nesse roteiro. O mais bacana é que o boneco digital serve como modelo de movimentação ou referência, então em alguns momentos não parece que se trata de um boneco desse tipo. Vamos brincar com esse jogo de linguagens — conta Miguel Araújo, da Cia Cegonha, responsável pelo espetáculo.

Os espetáculos do projeto "Animados Ciberteatro" estão sendo transmitidos gratuitamente pelo canal da Firjan Sesi no YouTube em setembro e outubro, sempre na segunda metade do mês.

— Optamos por transmitir as peças pela manhã e à tarde nos dias de semana para que as escolas possam exibi-las ao vivo para os seus alunos. Também levaremos algumas turmas de escolas da rede pública, da rede Firjan Sesi e de ONGs parceiras para assistir ao espetáculo presencialmente nos teatros, respeitando, claro, as normas de segurança. O objetivo é dar a possibilidade de as peças serem assistidas on-line, de onde você estiver, do celular ou em casa, e também a experiência de assistir no próprio teatro, criando mais um link de hibridismo — explica a supervisora de cultura da Firjan Sesi, Marcielly Vanucci.

Em outubro, será apresentado o último espetáculo do projeto, “Vovô tempo e a roda-gigante”, de Marise Nogueira e Márcio Nascimento. Trata-se de um teatro de mesa, que também foi adaptado para o formato híbrido. Segundo Nascimento, o formato deve permanecer, por ser mais uma possibilidade, mas o teatro com público é insubstituível.

Confira a programação

Era Medeia

Teatro Firjan SESI Jacarepaguá: Av. Geremário Dantas, 940, Freguesia, Jacarepaguá.

18/09 — (Sábado) — 20h

Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).

Classificação etária: 14 anos

Vendas somente pela Sympla

Teatro Firjan SESI Centro: Av. Graça Aranha, 1, Centro

24/09 — (Sexta-feira) — 17h25/09 — (Sábado) — 17h

Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).

Classificação etária: 14 anos

Vendas somente pela Sympla

Projeto Animadinhos Ciberteatro

Setembro

Era uma vez um adulto

17/09 — (sexta-feira) — 11h18/09 — (sábado) - 18h19/09 — (domingo) -18h23, 24, 25 e 26/09 (mesmos horários da primeira semana)

Outubro

Vovô tempo e a roda-girante

21/10 — (quinta-feira) — 15h22/10 — (sexta-feira) — 11h23/10 — (sábado) — 18h28, 29, 30 e 31/10 (mesmos horários da primeira semana)

*Estagiário, sub supervisão de Lilian Fernandes

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