Tebet aproveita tempo para ser conhecida, mas repete clichês sem apelo

Simone Tebet participou da sabatina do Jornal Nacional na noite de sexta-feira (26) (Foto: Reprodução/TV Globo)
Simone Tebet participou da sabatina do Jornal Nacional na noite de sexta-feira (26) (Foto: Reprodução/TV Globo)

Simone Tebet (MDB) encerrou a série de sabatinas do Jornal Nacional, da TV Globo, na noite desta sexta-feira (26). A mais desconhecida entre os candidatos melhor colocados nas pesquisas, a candidata soube aproveitar o tempo para se apresentar ao espectador. Tebet apresentou propostas, falou sobre o passado e a experiência política e disse quais as bases do programa de governo. Por outro lado, a candidata do MDB repetiu clichês que têm pouca capacidade de encantar o eleitor.

A candidata ressaltou em diversas oportunidades que tem consigo uma equipe econômica liberal - em 2018, esse foi um dos argumentos mais usados por pessoas da elite que votaram em Jair Bolsonaro (PL).

Tebet, que foi a última entrevistada, focou mais que os adversários em um tema importante: a fome. Falou sobre propostas envolvendo taxação de lucros e dividendos e um possível aumento de programas de transferência de renda e apresentou uma ideia de garantir direitos trabalhistas para autônomos.

Apesar da dedicação para apresentar as propostas que fazem parte do programa de governo, Simone Tebet repetiu clichês com pouco (ou sem nenhum) apelo. Uma das frases mais repetidas por políticos liberias apareceu na sabatina: "não só dar o peixe, mas ensinar a pescar".

Além disso, Tebet voltou a bater na tecla de ser uma representante da mulheres, em especial por ser mãe e ter "coração de mãe". Nem toda mulher é mãe. Nem toda mulher quer ser mãe. Ser mulher significa muito mais do que ser mãe.

Apelativa, a argumentação é vazia e tem pouco significado. Para os que não se importam com a pauta feminista, reforçar que se é mãe e mulher não atrai. Para quem entende o feminismo e a relevância desse tema, as falas são rasas.

A candidata aproveitou o espaço para criticar tanto Lula (PT) quanto Bolsonaro e as respectivas gestões - com mais ênfase nos ataques ao atual presidente. Ao falar do orçamento secreto, citou a falta de controle de Bolsonaro sob o orçamento e disse que, com os valores, poderia ampliar a transferência de renda. Tebet prometeu ainda acabar com o presidencialismo de coalizão, sem entrar em detalhes de como faria isso. As intenções parecem boas, mas passaram um tom de ingenuidade em determinados momentos.

Mesmo com chances bastante baixas de se eleger presidente do Brasil em 2022, Simone Tebet começa a traçar um caminho para alçar voos mais altos e, em um eventual próxima disputa, chegar com status de candidata já conhecida pelo público.

SABATINA DO JORNAL NACIONAL

O Jornal Nacional, da TV Globo, realiza tradicionalmente a sabatina de perguntas com os candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas eleitorais.

A condução dos questionamento é feita pelos apresentadores do Jornal Nacional: William Bonner e Renata Vasconcellos. As entrevistas ocorrem nos estúdios da Globo no Rio de Janeiro.

A sabatina pela qual os candidatos serão submetidos é considerada fundamental por estrategistas das campanhas, que veem uma boa possibilidade de conseguir "furar a bolha" e expor suas ideias no telejornal de maior audiência do país. As sabatinas do Jornal Nacional preveem 40 minutos de participação de cada candidato.

Veja como foi a sabatina de Jair Bolsonaro no Jornal Nacional

Veja como foi a sabatina de Ciro Gomes no Jornal Nacional

Veja como foi a sabatina de Lula no Jornal Nacional

O primeiro presidenciável entrevistado foi o atual presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). Bolsonaro abriu a série de entrevistas na segunda-feira (22). Ciro Gomes, do PDT, foi o entrevistado de terça (23). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta quinta (25) e Simone Tebet (MDB) fechará a série, na sexta (26).

A seleção dos candidatos teve por base as cinco melhores colocações na pesquisa eleitoral divulgada pelo Datafolha em 28 de julho: Lula, Bolsonaro, Ciro, Tebet e André Janones (Avante). Janones, no entanto, decidiu retirar sua candidatura.

A ordem das entrevistas e as datas foram decididas em um sorteio realizado em 1º de agosto com representantes dos partidos.