Tebet assume Planejamento e fala de governo do PT e da Frente Ampla

BRASÍLIA — A ministra do Planejamento, Simone Tebet, tomou posse em cerimônia concorrida no Palácio do Planalto na manhã desta quinta-feira. Ela iniciou seu discurso dizendo que este é o governo "do PT e da frente ampla":

— Gratidão é a palavra que gostaria que ficasse registrada como a primeira que sai da minha boca, mas especialmente do meu coração e da minha alma nesse momento. Gratidão a deus por viver esse momento, ao presidente Lula pela confiança absoluta por entregar a mim uma das pastas mais importantes e relevantes do seu governo, do nosso governo do governo do PT e da frente ampla.

Terceira colocada na corrida presidencial em 2022 representando a terceira via, foi aliada importante para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno e coordenou os trabalhos na área social durante a transição. Apesar de ter sido cotada para a pasta do Desenvolvimento Social, acabou na área econômica para ser um contraponto mais liberal em relação a outros nomes como o de Fernando Haddad (Fazenda) e Esther Dweck (Gestão).

Como chefe do Planejamento, Tebet vai comandar as decisões em torno do Orçamento do governo federal e também a gestão de importantes empresas públicas, como o IBGE e o Ipea.

Tebet desceu para a cerimônia acompanhada do vice, Geraldo Alckmin. Atrás, caminhava o ministor da Fazenda, Fernando Haddad. A economista Elena Landau, que coordenou a parte econômica da campanha à presidência da emedebista, também acompanhava. Estão presentes na cerimônia o ex-presidente José Sarney, as ministras Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente).

Da equipe econômica de Haddad, o secretário especial de reforma tributária, Bernard Appy, está no local. Entre os parlamentares, o senador Paulo Rocha (PT-PA), os deputados Isnaldo Bulhões (líder do MDB) e Reginaldo Lopes (PT-MG).

Para isso, trabalhará com muita proximidade com Haddad, em um quadro peculiar: se as divergências entre os chefes da Fazenda e Planejamento são comuns, nesta gestão ganham mais relevância porque ambos são presidenciáveis e farão o possível para ganhar projeção em suas atividades, de olho nas eleições de 2026.

Simone Tebet ganhou ainda mais projeção nacional após o bom desempenho na disputa presidencial de 2022. Senadora, ela teve destaque durante a CPI da Covid, em que contestou com veemência medidas do governo federal, entre elas o atraso na compra das vacinas contra Covid-19.

Primeira líder da bancada feminina no Senado, que foi criada em março de 2021, também foi a primeira mulher a disputar a Presidência do Senado, em fevereiro do ano passado. Ela perdeu a disputa para o atual presidente da Casa, Rodrigo Pacheco.

Tebet é descendente de libaneses e filha do ex-ministro Ramez Tebet, morto em 2006. Seu pai foi governador de Mato Grosso do Sul, senador e presidente do Senado, além de ter comandado a pasta da Integração Nacional na Esplanada.

Ligada ao agronegócio em seu estado, foi deputada estadual, prefeita de Três Lagoas por dois mandatos e vice-governadora. Ela votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.