Tebet culpa no JN polarização por falta de apoio e fala em cooptação no MDB

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A candidata à Presidência da República Simone Tebet (MDB) afirmou nesta sexta-feira (26) que a polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual mandatário, Jair Bolsonaro (PL), está "levando o país para o abismo".

A senadora ainda culpou a polarização pela falta de apoio a sua candidatura e afirmou que alguns integrantes de seu partido foram cooptados

Tebet participou da sabatina do Jornal Nacional, da Rede Globo. Ela foi a última dos candidatos a participar do programa. Antes dela, foram entrevistados Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Rede Globo convidou para as sabatinas os cinco melhores colocados na pesquisa Datafolha divulgada no fim de julho. André Janones (Avante), no entanto, deixou a corrida presidencial.

A senadora foi questionada durante a sabatina por que não conseguiu unir o MDB em torno de sua candidatura, com alas apoiando seus rivais na disputa. Então culpou a polarização e falou que alguns de seus companheiros foram cooptados.

"Estamos diante de uma polarização, política e ideológica que está levando o país para o abismo [...] polarização que faz com que alguns companheiros [do MDB] sejam cooptados", afirmou.

Simone Tebet também buscou se diferenciar de outros integrantes do MDB que foram acusados e condenados por corrupção. Afirmou que seu partido é "muito maior que meia dúzia de políticos e seus caciques". Também disse que o MDB não é mais um partido fisiológico.

A senadora também voltou a falar que tentaram puxar o seu tapete durante a campanha eleitoral. Tebet já havia falado anteriormente que revelaria o que sabe sobre articulações contra ela, mas segue sem dar detalhes.

Simone Tebet também ressaltou o fato de ser uma candidata mulher e que por isso terá um outro olhar para governar o país.

"A presidente que vai estar governando o Brasil não é a senadora, não é a deputada, que foi prefeita. É a alma da mulher e coração de mãe".

Tebet também disse que atualmente mulheres não votam em mulheres porque ainda desconhecem os quadros que disputam as eleições.

"A mulher vota em mulher, se souber que tem uma mulher competitiva, corajosa, que trabalha", afirmou a parlamentar, acrescentando que a situação das mulheres na política vai mudar quando 30% das executivas partidárias estiver nas mãos de mulheres.

"Não é só do meu partido, são de todos os partidos. Eles só cumprem a cota [de candidatas mulheres]", afirmou a senadora, que chamou a disparidade de gênero de "violência política".

Ainda sobre o tema, ela foi perguntada por que não conseguiu envolver o MDB num projeto de maior igualdade de gênero nas candidaturas. "É uma escada, tudo na vida da gente é difícil. Como é difícil ser mulher na iniciativa privada, que dirá na vida pública", disse Simone, que defendeu seu partido.

"Estou diante de um partido que saiu na vanguarda que decidiu lançar neste mais difícil no Brasil uma mulher candidata a presidente da República".

Tebet ainda destacou proposta de igualdade salarial entre homens e mulheres.

A candidata do MDB também voltou a defender um programa de transferência de renda permanente, com o valor de R$ 600. No entanto, reconheceu que isso só vai ser alcançado se sua gestão furar o teto dos gastos, em torno de R$ 60 bilhões.

Simone Tebet também defendeu a taxação de lucros e dividendos. Disse que será preciso abrir mais espaço para a classe média e a única forma de realizar isso seria "pedir aos mais ricos".

Simone Tebet entrou na disputa como candidata do bloco chamado terceira via, para tentar romper a polarização entre Lula e Bolsonaro. Seu nome foi endossado pelo seu partido e também pela federação PSDB-Cidadania. Os tucanos indicaram a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) para o posto de vice na chapa.

A coligação depois ganhou a adesão do Podemos.

A candidata vem enfrentando dificuldades para crescer nas pesquisas. Levantamento do Datafolha, divulgado no dia 18, mostra que ela permanece estagnada com 2% das intenções de votos. Está atrás de Lula (47%), Bolsonaro (32%) e Ciro Gomes (7%).

A sua campanha aposta no fato de que a parlamentar ainda é desconhecida pela maioria dos brasileiros. Por isso acredita que o início da propaganda eleitoral em rádio e televisão —seu tempo de televisão é apenas inferior ao de Lula e Bolsonaro— , além de sabatinas como a do próprio JN, possam melhorar seu desempenho.

Tebet também vem tendo dificuldades com palanques nos estados. A sua candidatura enfrentou resistência aberta de uma ala do seu próprio partido, que preferia apoiar Lula já no primeiro turno.

Alguns caciques do partido, como Renan Calheiros (MDB-AL), criticaram o lançamento de uma candidatura própria, com poucas chances de vitória, em detrimento de usar os recursos partidários para eleger uma bancada mais robusta no Congresso Nacional.

Além da ala lulista, outros candidatos emedebistas ou da coligação nessas eleições também já têm acertado Bolsonaro. Em seu segundo dia de campanha, por exemplo, Tebet visitou uma comunidade carente do Distrito Federal e não contou com a presença do governador Ibaneis Rocha (MDB), que disputa a reeleição e é líder nas pesquisas locais. Ibaneis apoia o atual presidente da República.

Nos primeiros 10 dias de campanha, a emedebista viajou para os estados do sul e para o Rio de Janeiro, mas a maior parte da sua agenda esteve concentrada na região metropolitana de São Paulo. Sua equipe avalia que seu potencial de crescimento é maior no estado.

Com uma chapa exclusivamente feminina, a campanha da senadora espera ter bom desempenho entre as mulheres. Uma das promessas de campanha nesse sentido é a formação de um ministério paritário entre homens e mulheres.

Outras propostas em destaque no plano de governo da chapa prevê a criação de uma poupança semelhante ao FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para os trabalhadores informais de baixa renda. Tebet também promete o pagamento de uma poupança para alunos da rede pública para diminuir a evasão escolar e estimular melhor desempenho.