Tebet diz no JN que enfrentou puxada de tapete no MDB e critica governo de "cooptação"

Senadora Simone Tebet em Brasília

BRASÍLIA (Reuters) - A senadora e candidata à Presidência pelo MDB Simone Tebet afirmou nesta sexta-feira ao Jornal Nacional que, caso eleita, irá implementar o que chamou de presidencialismo de conciliação, apesar das dificuldades admitidas por ela para cacifar seu nome como presidenciável dentro do próprio partido, citando até mesmo uma puxada de tapete.

Última dos postulantes ao Planalto a ser entrevistada pelo telejornal da TV Globo, Tebet, que nas pesquisas eleitorais tem pontuado em torno de 2% a 3%, creditou a falta de adesão de parte dos correligionários à sua candidatura à polarização que permeia a política, que teria cooptado alguns de seus "companheiros".

"Tentaram puxar o meu tapete até há pouco tempo atrás. Tivesse um tapete aqui, eu acho que eu tinha caído da cadeira também", disse a presidenciável ao JN, dizendo que tentaram levar o partido para a candidatura ao Planalto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas de intenção de voto e que conta com a simpatia de importantes lideranças do MDB.

Caciques importantes da sigla chegaram a iniciar as costuras para um apoio formal ao petista, o que forçaria Tebet a uma desistência, mas essas tentativas acabaram frustradas -- o que não impediu que diversos diretórios estaduais declarassem apoio a Lula, deixando Tebet sem palanque em alguns Estados.

"O MDB é muito maior do que meia dúzia de seus políticos e seus caciques", comentou, ao afirmar que integra a maior legenda do país, criada na época da redemocratização.

A senadora reconheceu que alguns integrantes do MDB estiveram envolvidos em casos de corrupção, como os relacionados à Petrobras, mas ponderou que também há quadros éticos na sigla, se comprometendo com um governo transparente e critérios de honestidade e competência.

"Temos que deixar de lado esse presidencialismo de coalizão, que na verdade é cooptação", defendeu. "Eu venho para fazer diferente", acrescentou, prometendo um "presidencialismo de conciliação".

No caso do chamado orçamento secreto --instrumento de destinação de recursos a partir das emendas de relator ao Orçamento da União, que ficou conhecido assim diante da dificuldade de se identificar os autores do repasse dos recursos--, Tebet afirmou, no entanto, que apenas diálogo não será suficiente.

"Orçamento secreto não é com diálogo só, é com transparência", afirmou, descrevendo que seu plano é fazer com que todos os ministérios abram suas contas.

Ao sustentar que conta com a "melhor equipe dos economistas liberais do Brasil", Tebet reafirmou seu compromisso com a responsabilidade fiscal como meio para alcançar justiça social, elencando a erradicação da miséria e o fim da fome no país como prioridades.

Alertou, por isso mesmo, que já é sabido que no ano que vem o teto de gastos será estourado para cobrir programa de transferência de renda, diante da situação crítica dos mais vulneráveis, que inclui, por exemplo, espécie de FGTS para os trabalhadores informais.

Citou, ainda, a necessidade de reforma no sistema tributário, considerando como mais importante a reestruturação dos impostos sobre o consumo. A presidenciável calcula que, havendo vontade política, é possível votar a reforma em seis meses no Congresso.

Também prometeu, se eleita, uma revisão da tabela de Imposto de Renda, mirando em maior isenção para a classe média, além de já adiantar que defende a tributação de lucros e dividendos.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)