Enfermeira denuncia colega por usar caneca em referência à Ku Klux Klan no RJ

Enfermeira denuncia caneca que cita Ku Klux Klan no Rio de Janeiro - Foto: Reprodução
Enfermeira denuncia caneca que cita Ku Klux Klan no Rio de Janeiro - Foto: Reprodução

A técnica de enfermagem Rosana Rezende, denunciou a colega de trabalho, Marília Romualdo do Amaral, por usar uma caneca com os dizeres 'sou da cuzcuz Klan', em referência à Ku Klux Klan, grupo americano de supremacistas brancos que perseguiam e matavam negros e simpatizantes do movimento por igualdade racial.

As profissionais trabalham no Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), no bairro da Saúde, região central do Rio de Janeiro.

Marília usava a caneca na copa do hospital durante os intervalos. Os dizeres na caneca da técnica denunciada tentam fazer uma piada com o nome da Ku Klux Klan: “Sou da cuscuz Klan”.

Em entrevista ao RJTV, da Rede Globo, Rosana contou que relatou à Ouvidoria do Hospital e que antes de formalizar a denúncia, tentou conversar com Marília para fazer com que ela mudasse de ideia e parasse de usar o objeto com o símbolo da organização racista.

"Perguntei a ela se ela tinha ciência do que representa a Ku-Klux-Klan, uma organização terrorista criada por ex-soldados confederados com o objetivo de perseguir e assassinar negros, mas ela limitou-se a responder que ‘estava brincando’ e que eu teria de respeitar a opinião dela. Marília também me disse que não deixaria de usar a caneca nas dependências do Hospital", afirmou.

A profissional diz ter ficado bem ferida com a atitude da colega em ignorar a utilização do símbolo racista na caneca.

“A colega ostentando esse símbolo me diz: ‘Não ligo para sua vida, ‘A sua vida não significa nada para mim’, ‘Estou ostentando o símbolo de uma organização supremacista branca que exterminava as pessoas iguais a você, que não ligavam pra sua vida’. É isso que ela me falava. Então, isso me feriu muito”, continua.

Diante da negativa de Marília em continuar usando a caneca, Rosana resolveu levar o caso para a chefia e para a ouvidoria da unidade, o que segundo a profissional, também não teriam tomado medidas para impedir o uso do item. A chefia teria alegado que a postura da colega era “liberdade de expressão”.

A técnica então decidiu entrar em contato com o sindicato, que a ajudou a levar o caso até a direção do hospital.

“Nós falamos para a divisão de enfermagem do hospital que isso é crime, que propagar, divulgar símbolos racistas é crime, e nós vamos para a delegacia, vamos registrar”, afirma Oswaldo Mendes, diretor do Sindisprev/RJ.

A direção do Hospital Federal dos Servidores do Estado disse que está apurando o caso e que “não compactua com qualquer tipo de manifestação racista ou que atente contra os direitos humanos”.