Técnica que vacinou 48 crianças com doses de adultos recebeu ordem de 'vacinar todas as pessoas', diz MPF

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Técnica que vacinou 48 crianças com doses de adultos da Pfizer alegou ao MPF que recebeu a ordem de
Técnica que vacinou 48 crianças com doses de adultos da Pfizer alegou ao MPF que recebeu a ordem de "vacinar todas as pessoas". (Foto: Wagner Meier/Getty Images)
  • Técnica que vacinou 48 crianças com doses destinadas aos adultos depôs ao MPF

  • Ela alegou que recebeu a ordem de 'vacinar todas as pessoas' que entrassem na UBS

  • As doses, de acordo com o governo, poderiam estar vencidas no momento da aplicação

Uma técnica de enfermagem está sendo investigada pelo MPF (Ministério Público Federal) por vacinar, pelo menos, 48 crianças com doses do imunizante da Pfizer contra Covid-19 destinada a adultos.

O procedimento foi feito antes do período da campanha vacinação infantil, em Lucena, na Região Metropolitana de João Pessoa, na Paraíba.

Ao MPF, a profissional afirmou que teria recebido "ordem para vacinar todas as pessoas que estivessem na unidade de saúde". O caso veio à tona após várias denúncias das mães das crianças, no sábado (15).

A vacinação em crianças e adolescentes no município, segundo a técnica, teria acontecido em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) e em uma âncora desta unidade em um assentamento.

Cerca de 36 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, foram vacinadas no assentamento no dia 7 de janeiro. As demais, receberam as doses na UBS nos dias 29 de dezembro de 2021 e 11 de janeiro de 2022. Ou seja, antes de iniciar o calendário de vacinação para crianças entre 5 e 11 anos.

No depoimento, a técnica disse que foi contratada pela Prefeitura de Lucena em 22 de novembro de 2021, para auxiliar médicos e vacinar crianças, adolescentes, adultos e gestantes. Ela afirmou ter atuado inicialmente aplicando vacinas de rotina e, em dezembro, foi designada para aplicar vacinas de Covid-19.

Em sua defesa, a técnica disse que a função dela era vacinar, e que ela não tinha acesso ao cadastro de vacinação, que era preenchido por uma agente comunitária de saúde (ACS) e enviado à Secretaria de Saúde do município.

No dia da aplicação, conforme a técnica, várias pessoas teriam aparecido no local, incluindo crianças e adolescentes, que receberam as mesmas doses dos adultos, de vacinas da Pfizer do lote FN3457.

A técnica informou que não sabia há quanto tempo a vacina estava armazenada, mas que trabalha com este lote e com o lote de final 3835, desde novembro de 2021. Segundo o secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, as doses poderiam estar vencidas.

Em relação à ordem de vacinar todas as pessoas, a técnica reiterou que chegou a mandar uma mensagem de texto para a chefe de imunização do município perguntando se era para vacinar todas as pessoas e que recebeu “sim” como resposta. Ela disse ainda que, depois da troca de mensagens, recebeu uma ligação da chefe, que disse que a ordem era vacinar porque as doses iriam vencer.

A técnica concluiu o depoimento dizendo que não recebeu treinamento sobre a vacinação de Covid-19 para adultos ou crianças, e que não foi informada de que havia diferença dos volumes das doses. Ela disse ainda ao MPF que não sabia que crianças não podiam ser vacinadas com as mesmas doses que os adultos. Ela afirmou também que não sabia da existência de vacinas pediátricas em Lucena.

Segundo o secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, houve quatro treinamentos para aplicação de doses pediátricas, mas a equipe de Lucena não participou do treinamento.

Nesta segunda-feira, o MPF informou que já existe um procedimento aberto para acompanhar o caso.

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