Técnico de ginástica pega 109 anos de cadeia por estupro

Mais de 40 ginastas revelaram ter sofrido abusos cometidos por Fernando entre 1999 e 2016. Foto: AP Photo/Eraldo Peres
Mais de 40 ginastas revelaram ter sofrido abusos cometidos por Fernando entre 1999 e 2016. Foto: AP Photo/Eraldo Peres

O ex-técnico de ginástica Fernando de Carvalho Lopes foi considerado culpado em julgamento da 2ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo. Em 2018, o programa da TV Globo “Fantástico” fez acusações de abusos sexuais a ginastas.

A decisão foi publicada na última segunda-feira (3) condenando o ex-técnico em primeira instância a 109 anos e oito meses de reclusão, em regime fechado, pelo crime de estupro de vulnerável contra quatro vítimas. Ainda cabe recurso da decisão, e Fernando vai recorrer em liberdade.

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O Ministério Público denunciou o ex-treinador nos artigos 217-A (estupro de vulnerável) e 226 inciso II (agravante pela relação de poder em relação às vítimas).

Agora a defesa de Fernando vai apresentar recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Depois disso, o Ministério Público vai apresentar as contrarrazões, para três desembargadores do TJ-SP analisarem o recurso interposto.

Depois do julgamento em segunda instância ainda será possível recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e um recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal (STF). Visando preservar as vítimas, o processo corre em segredo de justiça.

Uma das vítimas do processo tinha apenas 13 anos quando decidiu procurar os pais, em 2016, e contar sobre comportamentos inadequados do treinador como comandante da ginástica no Clube Mesc, tradicional entidade esportiva de São Bernardo do Campo.

Depois dessa denúncia, mais sete atletas procuraram a delegacia de defesa da mulher e do adolescente para depor.

Na reportagem exibida pelo Fantástico em abril de 2018, mais de 40 ginastas revelaram ter sofrido abusos cometidos pelo ex-técnico entre 1999 e 2016, mas apenas quatro são citados na ação como vítimas.

Fernando de Carvalho Lopes foi banido da ginástica pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), mas conseguiu uma liminar em junho de 2020 junto à 2ª Câmera Cível do Tribunal de Justiça de Sergipe, onde está a sede da CBG, pedindo suspensão da decisão de bani-lo até que o mérito da ação de seu recurso seja julgado pelo TJ-SE.