Técnico de ginástica pode pegar 150 anos por abuso sexual

Fernando de Carvalho Lopes, ex-técnico da Seleção Brasileira de Ginástica, é acusado de abusar sexualmente de 42 atletas.
Fernando de Carvalho Lopes, ex-técnico da Seleção Brasileira de Ginástica, é acusado de abusar sexualmente de 42 atletas. Foto: (Ricardo Bufolin/CBG)

Acusado de cometer abuso sexual contra mais de 40 atletas da Seleção Brasileira de Ginástica, o ex-treinador de ginástica artística, Fernando de Carvalho Lopes, será julgado na próxima quinta-feira, na 2ª Vara de São Bernardo do Campo, em São Paulo, e pode ser condenado de 54 a 150 anos de prisão.

Fernando foi denunciado pelo Ministério Público nos artigos 217-A (estupro de vulnerável) e 226 inciso II (agravante pela relação de poder em relação às vítimas) em um processo que, por preservação de identidade das vítimas, corre em segredo de justiça. Nesta semana, ele será ouvido e o magistrado tomará a sua decisão.

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O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) decidiu pelo seu banimento da ginástica, mas o Fernando de Carvalho Lopes, em junho de 2020, conseguiu uma liminar junto da 2ª Câmera Cível do Tribunal de Justiça de Sergipe onde suspende a decisão tomada pela instância máxima da justiça desportiva no Brasil até que o seu recurso seja julgado.

Petrix Barbosa, um dos grandes nomes da ginástica brasileira, que também participou da edição 20 do Big Brother Brasil, foi uma das vítimas enquanto ainda criança. Em 2018, concedeu entrevista ao ge relatando o que passou com Fernando: "Eu era o queridinho. Ele tinha uma paixão por mim que eu nunca soube explicar. E todos viam e sabiam disso. (...) Começamos a ginástica juntos ali. Fernando foi nosso primeiro treinador, e o Mesc meu primeiro clube, e nós nos tornamos imbatíveis na base. Ganhávamos tudo. (...) Todos os dias era uma briga porque ele dizia que esbarrava no nosso pênis. E eu falava... não existe esbarrar, p... Mais uma vez? Não é possível. Eu sabia que era errado, e aí, cada vez mais, ele foi buscando maneiras de entrar nessa situação. (...) Toda vez que eu ia dormir, na casa dele ou no hotel, ele queria dormir comigo na cama, mas aí eu ia dormir no chão. E ele falava: 'não, fulano vai para o chão e o Petrix vai dormir na cama comigo'. Todo mundo me olhava, e às vezes tentavam me tirar, mas ele não deixava. Era uma coisa comigo, e eu ficava sufocado, sufocado, sufocado".

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