Teerã pede que Washington pare de 'conspirar' contra o Irã

Presidente iraniano, Hassan Rouhani

O presidente iraniano Hassan Rohani pediu, nesta quarta-feira (29), aos Estados Unidos que parem de "conspirar" contra a República Islâmica, em um contexto de escalada verbal após um incidente marítimo entre navios americanos e lanchas iranianas no Golfo.

Em 15 de abril, os Estados Unidos informaram que 11 embarcações iranianas haviam assediado seus navios no que descreveram como águas internacionais do "Golfo Arábico", acusando o Irã de "manobras perigosas" no mar.

O presidente americano, Donald Trump, disse que ordenou que "a US Navy abatesse e destruísse qualquer embarcação iraniana que assediasse nossos navios no mar".

"Os americanos devem saber que esse golfo se chama Golfo Pérsico, não Golfo de Nova York ou Golfo de Washington", respondeu nesta quarta o presidente iraniano em um discurso na televisão.

"Eles não devem conspirar constantemente contra a nação iraniana", disse Rohani em um conselho de ministros. "Os soldados de nossas forças armadas, da Guarda Revolucionária, do Exército, da Bassidj (força paramilitar) e da polícia sempre foram e serão os guardiões do Golfo Pérsico", acrescentou.

As relações entre Teerã e Washington se deterioraram desde que os Estados Unidos abandonaram, unilateralmente, em 2018, o acordo internacional sobre energia nuclear iraniana (concluído em 2015), antes de reimpor fortes sanções econômicas contra Teerã.

As tensões atingiram um novo pico com o assassinato pelos Estados Unidos do poderoso general iraniano Qassem Soleimani, em 3 de janeiro em Bagdá.

Alguns dias depois, a República Islâmica do Irã respondeu com mísseis direcionados às bases militares dos Estados Unidos no Iraque.

O Irã se considera guardião do Golfo e acredita que a presença americana na região é a fonte de todos os males do Oriente Médio.