Teich diz que diretriz para flexibilização está pronta, mas teme polarização política

, , e

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Nelson Teich, disse nesta quinta-feira que a diretriz do governo para orientar a flexibilização das medidas de distanciamento social no país está pronta, mas que teme que a ela seja alvo de "polarização" e seja transformada em "ferramenta da discórdia".

- Isso tá feito. A nossa grande preocupação é como a gente veicular isso de forma que não se torne uma ferramenta de discórdia mais que um auxílio à população - afirmou o ministro durante entrevista coletiva.

Teich prometeu, na semana passada, que o governo divulgaria nesta semana uma diretriz com orientações para a flexibilização do distanciamento social implementado no país para enfrentar a epidemia causada pelo novo coronavírus.

Em outro trecho da coletiva, Teich disse estar preocupado com a polarização política em torno da adoção ou não de medidas de distanciamento social. A declaração foi feita após ser questionado se, diante do número de mortos pela doença estar perto de 6 mil, o ministério alteraria a orientação para o distanciamento social ou se adotaria uma política alinhada ao presidente Jair Bolsonaro, que é favorável à redução dessas medidas.

- O número de mortes adicional é muito triste. Mas não é porque eu tenho uma alteração nesse número de mortes. A política não é em função disso. Temos uma definição clara: o distanciamento permanece como orientação - afirmou o ministro.

- O que eu acho importante é que eu vejo isso mais como uma discussão política do que como uma discussão social. A gente precisa parar pra entender o que isso representa pra sociedade e não ficar polarizando pra dizer se é bom ou ruim - disse Teich.

Apesar de ter prometido o anúncio da diretriz para essa semana, Teich não disse quando ela será divulgada. O ministro disse que não haverá nada "milagroso" nela e que ela será composta por medidas já observadas em outros países.

Segundo o último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil tem hoje 85.380 casos confirmados e 5.901 mortes pela Covid-19.