De Teixeira a Andrey, passando por Thalles: Vasco tenta quarto acesso com brilho de jovens criados na base

O falecido Thalles, herói do último acesso do Vasco, em 2016, provavelmente é quem melhor representa a ligação que existe entre os jovens revelados em São Januário e os retornos do time à Série A. O lugar recuperado na primeira divisão por meio do brilho de quem realmente tem identificação com a camisa remete tanto ao passado de glórias quanto à perspectiva de um futuro melhor.

Nesta quinta-feira, às 21h45, contra o Sampaio Corrêa, Andrey Santos é quem vai liderar o cruz-maltino na tentativa de novamente se fazer presente na elite. O melhor jogador do time na temporada tem 18 anos, 12 deles vividos como jogador do Vasco. Precisa apenas de uma vitória na Colina para garantir matematicamente o acesso, sem depender de ninguém.

Thalles, que morreu em 2019, aos 24 anos, vítima de acidente de moto em São Gonçalo (RJ), tinha algo que o ligava a cada uma das crias que subiram o Vasco ou que tentam repetir o feito hoje. Naquela tarde em que fez dois gols sobre o Ceará, jogou pelo time e pelos filhos — deixou quatro. Foi pai cedo como Marlon Gomes que, aos 18, pegará o Sampaio Corrêa sob os olhares da filha Maitê, de três.

Foi precoce também em campo e aos 18 anos já estava entre os profissionais do Vasco, a mesma idade de Andrey. Bem no começo da carreira, gerava expectativas de que se tornaria craque, um frisson parecido com o de Philippe Coutinho, promessa no elenco do primeiro acesso do cruz-maltino, ainda em 2009.

Thalles era vascaíno de berço como Alex Teixeira, que tinha 19 anos na primeira campanha do time na segunda divisão, e que foi autor do gol do título. Teixeira retornou à Colina este ano, já experiente, para tentar repetir o feito, fazendo juras de amor ao Vasco — o tipo de gesto que Thalles provavelmente faria.

Se estivesse vivo, poderia ter tido carreira parecida com a do amigo Luan. A promessa que dormia debaixo da arquibancada de São Januário nos tempos da base assumiu a titularidade do profissional na campanha do acesso de 2014, da qual Thalles também fez parte, sem tanto brilho. Em 2017, o zagueiro foi para o Palmeiras , onde é multicampeão.

Questionado e herói

Os problemas com o peso e os contratempos fora de campo eram obstáculos que Thalles, ainda novo, teria tempo para superar, não fosse o acidente. Em 2016, já contestado por não atingir o nível que as pessoas acreditavam ser capaz de alcançar, fez a diferença. Nas últimas sete partidas daquela Série B, quando o desempenho do Vasco declinava, ele marcou cinco gols e se tornou o nome daquela campanha. Era treinado por Jorginho, e Nenê era o camisa 10 do time. Ambos estarão em campo esta noite, novamente tentando levar o Vasco à Série A do Brasileiro.

— Eu tinha o Thalles como um filho, tive muitas conversas com ele — afirmou um abalado treinador na época do falecimento.

Thalles veio de família humilde como Eguinaldo, que deixou o interior do Maranhão para trás para tentar a sorte no futebol carioca, com a esperança de transformar sua vida e a dos mais próximos. O centroavante deve ser titular no ataque ao lado do Figueiredo, cuja batida forte com o pé direito consegue ser ainda mais perigosa do que era a finalização do também destro Thalles, nos seus melhores dias.

Os altos e baixos de Thalles remetem aos tropeços do time do coração, na quinta disputa de Série B. Mas o jogador um dia deu esperança aos vascaínos. Era jovem como os destaques da equipe atual e a própria SAF na qual o cruz-maltino se tornou. Hoje é noite para o Vasco renovar suas esperanças.