Telefônicas querem que UE façam empresas de tecnologia pagarem por custos de rede

Por Mathieu Rosemain e Supantha Mukherjee

PARIS/ESTOLCOMO (Reuters) - Operadoras de telecomunicações estão pressionando a União Europeia a implementar novas leis para que empresas de tecnologia paguem pelos custos da rede, seguindo o exemplo da Austrália, de acordo com quatro fontes próximas ao assunto.

As operadoras de telecomunicações da Europa fizeram lobby por uma contribuição financeira de empresas de tecnologia dos EUA, como Google, Facebook e Netflix, dizendo que usam uma grande parte do tráfego de internet da região.

A última proposta, ainda não divulgada, está sendo discutida na GSMA, entidade que representa mais de 750 operadoras móveis.

"A GSMA está coordenando uma proposta que fala da contribuição das Big Techs para o investimento em infraestrutura na Europa", disse John Giusti, diretor de regulamentação da GSMA, sem entrar em detalhes sobre a proposta.

Uma carta será enviada ao chefe da indústria do bloco, Thierry Breton, nas próximas cinco a seis semanas, disse Giusti.

Google, Facebook, Netflix e Amazon não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

A proposta vem antes da consulta do bloco de 27 países sobre a chamada contribuição "fair share" autraliana de empresas como Google, Netflix, Meta e Amazon, que respondem por mais da metade do tráfego da internet.

Pela lei recentemente adotada pela Austrália, as partes devem negociar de boa fé. Mas se um acordo não puder ser fechado, os envolvidos terão que apresentar suas ofertas.

As operadoras de telecomunicações que fazem parte da GSMA, incluindo algumas das maiores da Europa, como Orange, Deutsche Telekom e Telefónica concordam que a maneira australiana é a melhor abordagem, disseram as fontes.

Nenhum documento formal foi ainda enviado a Breton, disseram as fontes. As autoridades estão discutindo se a proposta será feita diretamente pela GSMA ou por um grupo de executivos-chefes, disse uma das fontes.