Telefonema entre irmãos, um deles no Rio, foi interrompido por explosão em Beirute: 'Susto'

Louise Queiroga
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EDITORS NOTE: Graphic content / A man and woman walk with dogs past rubble and destroyed vehicles along in the Gemmayzeh area of the centre of Lebanon's capital Beirut on August 4, 2020, following a massive explosion at the nearby port of Beirut. - Two huge explosion rocked the Lebanese capital Beirut, wounding dozens of people, shaking buildings and sending huge plumes of smoke billowing into the sky. Lebanese media carried images of people trapped under rubble, some bloodied, after the massive explosions, the cause of which was not immediately known. (Photo by - / AFP) (Photo by -/AFP via Getty Images)
(Foto: Getty Images)

Enquanto andava na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Zona Sul do Rio, nesta terça-feira, dia 4, e conversava com o irmão por telefone, era um dia normal para o advogado Roger Hanna Bassil, presidente da Federação das Entidades Líbano-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro.

No entanto, de repente ouviu um forte barulho e a ligação foi silenciada em seguida. Em Beirute, no Líbano, uma explosão de grandes proporções arrasava tudo o que estava nas redodezas. Para Bassil, aquele momento foi de susto e grande preocupação com seus muitos parentes que vivem na capital libanesa.

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— Toda a minha família praticamente mora no Líbano. Eu estava conversando com meu irmão quando aconteceu a explosão bem no porto, que fica no centro de Beirute. É uma cidade litorânea e, apesar de ser capital, é pequena se comparada a outras cidades. Ele estava próximo, mas não se feriu, teve apenas perdas materiais. O carro dele teve vidros quebrados com a força da explosão — contou Bassil, que veio para o país no final da adolescência.

O advogado disse ao EXTRA que, ao escutar um som muito alto, "tomou um grande susto". Depois, não conseguiu mais ouvir o irmão e, conhecendo o contexto político da região, ficou preocupado.

— O telefone dele deve ter caído, mas quem se assustou fui eu aqui. Ouvi a explosão e ele sumiu. Eu estava andando na Nossa Senhora de Copacabana quando aconteceu. Graças a Deus ele retornou a ligação para avisar que estava bem. Ele fez chamada de vídeo e mostrou a fumaça chegando perto e eu falei "sai daí". Não teve muito tempo. Ele entrou no carro, parou e viu que o teto estava quebrado. Fiquei mais tranquilo de saber que ele estava bem. Mas é muito triste o que houve. O Líbano não merece isso não. Alguns amigos tiveram tudo destruído.

Bassil ressaltou que não acredita na versão de que o local afetado armazenava fogos de artifício. Para ele, essa explicação não faz sentido e não condiz com a realidade. Ele contextualizou a atual situação do Líbano, que é governado pelo Hezbollah, que surgiu no país como uma milícia e, resumidamente, visa a libertar a Palestia. Dessa forma, tem uma relação conflituosa com Israel.

— Naquele cais do porto não existe esse armazém de fogos de artifício. Vamos ver que realmente não era nada disso. Foi tudo calculado — disse Bassil, acrescentando que, em sua visão, o prédio abrigava carregamento do Hezbollah.