Telescópio chinês com "olhos de lagosta" envia suas primeiras imagens

O novo telescópio Lobster Eye Imager for Astronomy (LEIA), da China, enviou suas primeiras imagens, que revelam o centro da Via Láctea, o sistema estelar binário Scorpius-X e a nebulosa Laço do Cisne. O LEIA foi lançado a bordo do pequeno satélite SATech-01, e promete abrir o caminho para missões de maior complexidade com sua tecnologia no futuro.

O LEIA conta com 36 placas que, juntas, refletem, raios X em direção a um centro comum, onde são coletados por quatro sensores. A técnica é inspirada nos olhos das lagostas, e e proporciona um amplo campo de visão. Segundo pesquisadores do país, estas são as primeiras imagens de objetos observados em raios X em amplo campo de visão, por um telescópio de imageamento de foco.

Imagem da Grande Nuvem de Magalhães na luz visível (esquerda) e em raios X observados pelo LEIA (direita) (Imagem: Reprodução/CAS/DSS)
Imagem da Grande Nuvem de Magalhães na luz visível (esquerda) e em raios X observados pelo LEIA (direita) (Imagem: Reprodução/CAS/DSS)

“Os resultados oferecem uma base sólida para o desenvolvimento das presentes e propostas missões de raios X com campo amplo, com sistemas de ópticos de ‘olhos de lagosta’ com microporos”, escreveram. Para os autores, o amplo ângulo de visão do telescópio somado aos seus recursos de captura de imagens oferecem maior sensibilidade para o monitoramento do céu e maior resolução para os chamados raios X “moles”.

O nome descreve as variações dos comprimentos de onda dos raios X: aqueles com menor comprimento de onda têm maior facilidade para pentrar nos corpos e são os chamados "raios X duros". Já os moles têm comprimento de onda maior, e não penetram tão profundamente em materiais.

Enquanto mostra resultados promissores, o LEIA é uma versão experimental do módulo que será lançado no ano que vem a bordo da sonda Einstein, também da China. Ela terá o telescópio Wide-field X-ray Telescope (WXT), formado por 12 módulos LEIA que, juntos, vão render um campo de visão com 3.600 graus quadrados. O futuro instrumento será usado para observar eventos energéticos, como supernovas.

O artigo com os resultados do estudo será publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, e pode ser acessado no repositório online arXiv, sem revisão de pares.

Fonte: Canaltech

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