‘Tem gente dentro do governo que acha que vender a Eletrobras tira voto’, diz Guedes

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BRASÍLIA — Um dia após a sanção do projeto que viabiliza a privatização da Eletrobras, o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a venda da empresa no primeiro trimestre de 2022. Ele disse que tem gente dentro do governo acreditando que a privatização da empresa tiraria votos do presidente Jair Bolsonaro nas próximas eleições.

Em uma transmissão ao vivo feita pelo Valor Econômico, o ministro chegou a dizer que a privatização daria votos ao presidente.

— Tem gente dentro do governo que acha que vender a Eletrobras tira voto. Eu acho que tem muita gente que acha que isso dá voto, em vez de tirar voto — disse o ministro.

Guedes argumentou que a população já entendeu que a Eletrobras será privatizada e o governo poderia até perder votos caso não cumprisse a promessa.

— Todo mundo já entendeu que a Eletrobras vai ser privatizada. Se não acontecer, os eleitores vão até cobrar porque que não aconteceu este ano. Tem que ser no primeiro trimestre do ano que vem, se isso for desculpa para procrastinar, isso vai tirar voto em vez de dar voto — afirmou.

Guedes defendeu a venda de estatais e imóveis da União que não estão sendo utilizados. Recuperando uma ideia antiga, o ministro disse que esses recursos poderiam ir para um fundo de erradicação da miséria e promover uma “chuveirada” de dinheiro com o que ele chamou de "dividendos sociais" para os mais pobres a cada seis meses.

— Que tal se o dinheiro da venda da Eletrobras, pelo menos 30% fossem distribuídos para os cidadão mais frágeis brasileiros? Será que em vez de fazer redistribuição de renda, será que não aprendemos algo com o efeito riqueza? Que tal para alguém que ganha R$ 250 todo mês de Bolsa Família, de repente você dá R$ 3 mil pra ele? E isso foi fruto de uma desestatização. Será que a opinião pública não muda?

Essa ideia já foi promovida por Guedes para possibilitar o aumento do Bolsa Família, em março deste ano, e para reforçar o “Renda Brasil”, programa que acabou não indo pra frente, em setembro do ano passado.

O ministro desenhou um cenário para as eleições do ano que vem entre o ex-presidente Lula e o atual presidente Jair Bolsonaro.

— O que você de uma campanha onde o Lula fala assim: "estão querendo vender patrimônio do governo". E de repente você diz o seguinte: "não, em vez de roubar o patrimônio do povo, feito alguns governos faziam, nós queremos dar ao povo o que é do povo" — disse.

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