'Tem gosto de esgoto', reclama morador de São Cristóvão que há um ano convive com problema na água da Cedae

Ludmilla de Lima
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Fábio Rossi/22-7-2020 / Agência O Globo

RIO — Há um ano que a família do motorista José Airton Amorim, morador de São Cristóvão, não sabe o que é água boa saindo de suas torneiras. E de dezembro para cá, o mau cheiro piorou. A crise na qualidade da água da Cedae provocada pela presença de geosmina tem obrigado parte da população a gastar mais.

Na casa de José Airton, um dos primeiros a denunciar o problema no verão passado, além da conta da companhia — de R$ 135 —, entrou no orçamento a compra de água mineral. Para atender quatro pessoas (além dele, a mulher e dois filhos) o motorista desembola R$ 40 por semana, ou R$ 160 por mês.

— No total, agora gasto mais comprando água mineral do que com a conta da Cedae — lamenta ele, dizendo que nem a limpeza constante da caixa d’água nem a troca frequente do filtro do purificador dão jeito no gosto e cheiro ruins. — Tem gosto de esgoto mesmo. No ano passado, a Cedae veio aqui duas vezes, coletou amostras, mas até hoje não chegou o resultado.E aágua continjua amarela, suja.

Os gastos com água mineral começaram quando a mulher do motorista, no ano passado, teve uma infecção intestinal. Na época, a médica que fez o atendimento disse que o problema seria consequência da água.

Questionada se há novo laudo sobre a geosmina, a Cedae informou que a análise da água, quando concluída, será publicada no seu site.

Coordenador do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Estado, Eduardo Chow diz que o órgão reúne documentos para pedir alguma compensação aos consumidores prejudicados pela qualidade da água ou por falhas no abastecimento. A Defensoria, com os problemas na Elevatória do Lameirão, chegou a pedir a execução de uma multa de R$ 100 mil ao dia, instituída durante a pandemia, para o caso de problemas no fornecimento pela Cedae. No entanto, em audiência com a Justiça, foi decidido que a empresa tomaria medidas para regularizar o sistema.

Desde o verão passado, há duas ações em curso: uma sobre a geosmina e outra sobre a falta d´água.

— Estamos avaliando se será necessária nova ação ou se podemos conseguir outro tipo de conduta da Cedae, como desconto ou indenização para os consumidores — afirma o defensor público, completando. — É preciso que exista sensibilidade da empresa e do próprio Judiciário. Repetir isso todo ano não é adequado para a população. O que está acontecendo mostra que nada foi feito desde a última crise.

No ano passado, a Justiça chegar a acatar o pedido da Defensoria de desconto de 25% nas contas, o que foi derrubado pela Cedae em segunda instância.