‘Tem muita coisa aqui visivelmente torta’, diz subprefeita de Jacarepaguá sobre construções em Rio das Pedras

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Enquanto acompanhava os trabalhos da força-tarefa dos Bombeiros e agentes da Defesa Civil, para evacuar um prédio de quatro andares que ameaçou cair após moradores ouvirem estalos, nesta quinta-feira, dia 10, em Rio das Pedras, a subprefeita de Jacarepaguá, Talita Galhardo, disse em entrevista: “Tem muita coisa aqui visivelmente torta né”. A fala da subprefeita foi dada à agência de notícias independente Lume RP, que atua na comunidade, onde na semana passada uma construção veio abaixo e duas pessoas — pai e filha — morreram.

No final da tarde desta quinta, às 17h, moradores saíram às pressas, com seus pertences em mãos, do edifício irregular, localizado na Rua Estrela Dalva, número 185, a cerca de 1km da construção que desabou na Rua das Uvas, no último dia 3. A Prefeitura vai demolir o 3º e o 4º andar do prédio de quatro pavimentos nesta sexta-feira, às 9h. No local, moravam quinze pessoas, que foram cadastradas pela Secretaria de Assistência Social para terem suas necessidades avaliadas.

Segundo Talita Galhardo, que esteve de manhã cedo na comunidade para realizar vistorias em prédios irregulares, são muitas construções sem legalidade ou qualquer responsável técnico. Segundo moradores desse prédio, ela disse, as rachaduras aumentaram de dois meses para cá.

— As pessoas estão muito assustadas, mas a gente está aqui de prontidão. Tem muito prédio com estrutura imprópria, mas a gente não pode simplesmente pedir que as pessoas saiam — contou.

No afã do momento, também saiu em auxílio aos moradores e para conter a situação, após muita gente aglomerar perto do prédio, que foi isolado com a chegada dos bombeiros, Andreia Ferreira, gerente executiva local de Rio das Pedras, que disse ao Globo :

— Estou a caminho. Fiquei sabendo que estalou, e o pessoal saiu rápido. Pode ser que tenha gente ainda impressionada com o desabamento recente. Estamos indo para o local para entender exatamente o que ocorreu — afirmou.

Aline Dionísio, de 18 anos, moradora da rua onde o prédio estalou, conta que foi ouvido um grande estrondo pouco antes das 17h. Segundo ela, uma parte da fachada do edifício de três andares chegou a cair. A Associação de Moradores da comunidade também acompanha todos os trabalhos na região.

— Ouvi um barulho muito alto e saí de casa com meus pais, que moram comigo — relatou a jovem.

O prédio que caiu na última quinta-feira, também em Rio das Pedras, foi construído por um morador da comunidade para abrigar a sua família. A estrutura, que possuía quatro pavimentos, sendo um apartamento por andar, foi feita aos poucos, ao longo de mais de uma década. O último andar foi construído há cerca de oito anos. As informações foram repassadas por vizinhos e parentes das vítimas à equipe da 32ª DP (Taquara), que investiga o caso.

De acordo com os policiais, o responsável pela obra foi o comerciante Genivan Gomes Macedo, que tem um mercadinho na região. Seu filho, Nathan Gomes de Souza, de 30 anos, morreu soterrado; sua neta, Maitê Gomes Abreu, de 2 anos, também morreu. Sua nora, Maria Quiaria Abreu Moita, de 26 ano, foi socorrida e continua internada em estado grave no Hospital Municipal Miguel Couto. Os três estavam em um dos apartamentos do prédio que desabou.

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